FÍSICA SEM EDUCAÇÃO

A única maneira de fazer o Brasil progredir é com educação, informação e caráter.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Priscilla Cruz e todos sem educação e sem saúde





Se eu fosse escrever ia utilizar muitas páginas, por isso resolvi fazer em formato de vídeo. Uma nova maneira de expressar minha ideias. Por favor, assistam, compartilhem e curtam o canal Física sem Educação.

Obrigada

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Pandemia e educação

       
   


E a educação? (Opinião)

O mundo está um caos! Estamos diante de uma pandemia altamente contagiosa que vem preocupado a todos e a todas. Em vez de as pessoas se resguardarem de uma doença que pode levar a óbito, está havendo o oposto, mais e mais pessoas saem às ruas, muitas vezes sem necessidade (não me refiro aos que são forçados a trabalhar). Muitos setores do comércio e indústria, devido às pressões econômicas, voltaram a funcionar, o que é compreensível, afinal empregos precisam ser preservados.

 Ok! Mas e a educação?

Como sabemos a educação sempre foi vista como um gasto ou um lucro, nunca como investimento. Para se manterem no poder, é mais fácil manter uma população ignorante ou alienada: ignorante, quando me refiro às escolas públicas e alienadas, quando falo dos colégios particulares. Engana-se quem acha que nas escolas privadas o ensino é melhor, ele é mais conteudista, apenas isso. Enquanto as públicas deveriam visar à formação de cidadãos críticos e conscientes e não o fazem, as particulares visam à formação de alunos para passarem nas universidades (de preferência, públicas, que deveriam ser direito dos alunos e alunas provenientes de escolas públicas) e garantirem o status quo social.


     Agora, diante desse caos, eles – os setores privados da educação – querem  retornar às aulas. Estão sentindo pressão da sociedade para isso, por motivos óbvios: muitos pais, diante da perda de ganhos e salários, estão transferindo seus filhos para as escolas públicas. Então, pressionam os governantes que pouco se importam com os verdadeiros interesses da sociedade, apenas com seus ganhos eleitorais.E como querem fazer isso? Não sabem, não garantem nada e não fazem a mínima ideia se isso será ou não possível. Então por que marcaram uma data?

     A meu ver essa data foi marcada simplesmente para acalmar os ânimos, principalmente dos setores privados e da sociedade que precisa enviar seus filhos e filhas à escola, já que o comércio e a indústria estão abertos (irresponsavelmente) e muitas famílias não têm aonde deixar os filhos e filhas.
 
     O setor privado de educação, visando ao lucro acima de tudo, pressiona o governo para a flexibilização em agosto, porque, repito, estão perdendo seus clientes que, não conseguindo pagar as altas mensalidades devido ao problema econômico, aumentam a demanda das escolas públicas.

     Que tal a população e o setor dos profissionais da educação “aproveitarem essa pandemia” para cobrarem as coisas que já deveriam ter sido feitas há muito tempo, como, por exemplo, melhorar a educação pública, que é dever do Estado e direito dos cidadãos e cidadãs; garantir uma educação de qualidade com número reduzido de alunos por sala; melhorar a estrutura dentro das escolas e, para a população mais carente, garantir o mínimo de sobrevivência como saneamento básico e alimentação, acesso à internet gratuita a todos e todas alunos e alunas entre outras coisas?

     Isso para quando voltarem as aulas que, a meu ver,  não devia acontecer neste ano, porque, se a coisa continuar como está, com os números de mortes aumentando a cada dia, a quarentena nesse setor deve se prorrogar. Enquanto isso, os setores responsáveis pela educação e a população terão tempo suficiente para se organizarem e cobrarem do poder público nossas reivindicações.

domingo, 29 de março de 2020

A educação falece











 
     Antes de mais nada um aviso: essa é apenas uma opinião diante de tudo o que vem ocorrendo, mas como sempre me restringirei à educação, minha área de atuação.

     Apesar dessa pandemia, as pessoas, pelos menos as mais conscientes que não são da área, entenderam a importância do investimento em ciência e educação e a importância de o Estado (ente federativo) subsidiar os mais pobres, porque Estado não foi criado (pelo menos não deveria ter sido) para gerar lucro e sim para fornecer bem-estar social para sua população, principalmente nas horas de crise, como a que estamos passando.

     A grande questão é que temos um presidente que está indo na contramão de tudo isso e um governador (em São Paulo) oportunista, que, em contrapartida, acaba  sendo  competente. João Dória está se aproveitando e implementando o Ensino à Distância (EAD) descaradamente.
   
     Em uma de suas entrevistas, exaltou as empresas privadas, como se elas fossem as salvadoras do país, e enfatizou a ajuda do Estado para combater a COVID-19, colocando o valor na sigla dos milhões de reais. Para aquele que não estão  familiarizados com a economia, parecem valores realmente expressivos.

     Mas ele se esqueceu de dizer que as dívidas que deveriam ter sido pagas pelas empresas ao Governo em forma de impostos e que foram sonegadas beiram a casa dos bilhões. Tudo isso, no entanto, é uma questão de ordem de grandeza de apenas três zeros, coisa que está geralmente acima da compreensão do cidadão comum, ou passa despercebido por todos.

     Tudo isso vai custar à educação e aos professores uma reviravolta e agora acelerada  educação a distância para o ensino médio será implementada a partir do ano que vem. Como a rede oficial de ensino, ou seja, os diretores, professores, pedagogos etc. da rede pública, não está preparada e não será preparada a tempo para essa modalidade de ensino, o ensino a distância, a entrega à iniciativa privada da educação de nossos jovens será o passo que vai unir, para os empresários da rede privada, o abutres da plantão, o o útil ao agradável. Os professores que não se adaptarem serão excluídos desse sistema, principalmente os contratados, já que não precisarão de uma grande demanda de professores para o EAD e muito menos de pagarem transporte e alimentação, isso sem falar nas mudanças nos contratos que mesmo que haja concurso não terão mais a estabilidade do regime estatutário. Aliás, isso já está sendo feito.

     Não duvido nada que criem também uma emenda para tirar essa estabilidade dos já concursados.

     Para terminar, como eu disse, essa é apenas uma opinião, mas baseada em algumas coisas que li e que deixarei aqui embaixo para consulta e espero, mais uma vez, estar errada e torço para isso.

Discurso do Bolsonaro
O que esperar do Ministro da Educação
Discurso do Dória (governador do estado de São Paulo)




domingo, 27 de outubro de 2019

O que vai virar a educação no país?

                              Fonte:https://pensamentoliquido.com.br/brasil-um-pais-em-chamas/


A situação em que o país vai entrar é alarmante e se os cidadãos e, principalmente, os professores e professoras não começarem a se conscientizar e lutar vamos entrar em colapso social. Se não estiverem motivados o suficiente pela educação pública, que o façam pelos seus filhos e netos.

Muitos professores e professoras, e eu diria que a maioria, não entenderam a grave situação em que a educação se encontra. Sei que muitos estão tão desmotivados, desvalorizados e “desesperançosos “ que sequer têm forças para agir ou mesmo se interessam pelo que está acontecendo. Preferem continuar em suas bolhas, estão tipo: “tanto faz, sempre foi assim”.
A questão é que não foi sempre assim! Apesar da história nos mostrar que desde que permitiram que houvesse escolas públicas e privadas que vem ocorrendo o processo de destruição da educação pública. Isso é história! Nesseartigo eu explico um pouco essa história. 

A coisa começa a piorar realmente quando o Banco Mundial começa a interferir nos processos educacionais, ditando suas políticas e, mais ainda, quando o sistema neoliberal começa a ser implantado à força, porque até então era aos poucos (sentíamos, mas era feito em doses pequenas). E devido a todo o descaso com os professores, eles sequer sentiam a deterioração do ensino ou, se sentiam, não tinham forças para lutar contra.
Acusar sindicatos é mais fácil, pois isso nos redime de culpas pelo que está acontecendo, mas existem dois “poréns”: Quando Getúlio Vargas resolve oficializá-los (aos sindicatos), passa a controla-los e, assim, ano após ano, as lutas vêm sendo cada vez mais desarmadas por aqueles que estão no poder e, pior, quando o professor delega aos sindicatos todas as lutas, sem entender que, na verdade, nós somos o sindicato, a coisa piora. E a luta vai-se enfraquecendo cada vez mais.
Vou resumir o que acontecerá com a educação pública:
1.       A intenção do Banco Mundial não é valorizar os professores, pelo menos não financeiramente, sendo esse como um dos últimos objetivos, como já expliquei nesse post. Então esqueçam a ideia de que iremos ganhar mais. Teremos mais cobrança, isso com certeza.

2.       A privatização proposta pelo Ministro da Educação do novo presidente é a mesma que implantaram no Chile e, para quem não sabe, Paulo Guedes esteve pessoalmente ajudando no projeto. Isso é explicadonesse blog 

3.       Vamos virar um Chile, se tudo der certo, mas se tudo der errado, como é mais provável pela própria letargia dos trabalhadores escravos do capitalismo neoliberal, viraremos uma Venezuela.(No final do texto encontra-se um vídeo que explica a menção à Venezuela)


Para entender o que está acontecendo e quais são as previsões para o futuro do país, veja esse vídeo. É apenas um deles, há muitos outros e garanto que as previsões dos economistas sérios não são boas. Espero que, assim como no Chile, o país acorde. E que não demore muito como aconteceu lá.

                                              https://www.youtube.com/watch?v=__3EkFY7CNA

Que o Brasil não brinque com fogo! É o artigo de hoje escrito no El pais.

Leia aqui

segunda-feira, 15 de julho de 2019

O marxismo cultural existe?


O marxismo cultural





Tudo começou em 2014, quando comecei a acompanhar o mais novo (não tão novo) guru do nosso presidente, Olavo de Carvalho, e suas deduções a respeito de ciência, que é a minha área. Lembro que vi um vídeo dele refutando Isaac Newton e, por ser professora de física e saber que refutar uma teoria científica não é uma coisa tão simples, fui ler os textos onde ele apresentava os “fundamentos” para as tais “refutações”.


A conclusão foi óbvia: apesar de sua boa retórica, as ditas refutações baseavam-se em suposições deturpadas do que é ciência e teoria científica. E esse não foi o único texto que li!  Havia textos onde falava de Einstein, Galileu e outros assuntos. Todos os seus textos (científicos ou não) continham erros crassos de compreensão e interpretação dos conceitos básicos, mas uma coisa me chamou a atenção, a quantidade de seguidores e de pessoas que acreditavam naquelas sandices mal interpretadas por ele. Nem vou falar do palavreado que utiliza nos vídeos, pois os textos são completamente diferentes. Como eu disse, ele tem uma boa retórica que consegue convencer o leitor leigo.

Alguns youtubers, que fazem divulgação científica na internet, chegaram a criar conteúdo de qualidade falando sobre esses erros, mas não atingiram seus seguidores, pelo menos não que eu saiba, e o “olavismo” começa a tomar conta das redes sociais. O fenômeno da desinformação e da ignorância, não só científica, alcançou um patamar jamais visto. 


O pior, no entanto, estava para acontecer:  o Governo Federal atual, mais precisamente o Ministério da Educação, através de seus ministros (o anterior e o atual) defendem a ideia de que as universidades públicas estão permeadas de comunistas e que estamos diante do dito “marxismo cultural” que vinha distorcendo as ideias de nossos jovens e crianças e toda nossa sociedade.
Mas de onde surgiu isso?

Como disse Jessé de Souza em seu livro A Elite do Atraso: “No mundo moderno, quem cria legitimação do poder social que será a chave de acesso a todos os privilégios são os intelectuais”. E Olavo não ignora isso, mas como o próprio Jessé frisa “o presente não se cria sem o passado.”

Numa entrevista de Olavo de Carvalho concedida ao Pedro Bial em março desse ano, as coisas foram se tornando mais claras. Segundo ele, há uma hegemonia às ideias de esquerda dentro das universidades, que é feita através de um procedimento único, a orientação de teses, e que “Quando você aprova (tese) assegura que a próxima geração de professores será igualzinho a você”. “Pega os últimos 30 ou 40 anos e pergunta: Quantas teses anticomunistas foram aprovadas? A resposta é, nenhuma”.



Essa é a primeira inverdade (mentira mesmo!). Nos bancos de teses (eu verifiquei) existem teses que são “anticomunistas” e são muitos os autores citados, de diversas correntes do pensamento, porque, quando uma pesquisa é feita para o desenvolvimento de uma tese, nem sempre os autores citados são os que concordam com o tema que está sendo pesquisado. Aliás, existe algo que se chama “ Revisão por pares” (peer review) de artigos científicos, que “é a avaliação de resultados de pesquisa ou propostas de projetos quanto à competência, significância e originalidade, conduzida por especialistas qualificados que pesquisam e submetem para publicação trabalhos na mesma área (pares)”. (Scielo, 2009). Então, mesma área ou pares não quer dizer que só seus “amiguinhos” irão aprovar ou não sua tese!

Como Jessé de Souza diz no livro citado acima: “Quem atribui prestígio hoje em dia a uma ideia é o prestígio científico, assim como antes era o prestígio religioso ou supostamente divino, toda informação midiática, no jornal ou na TV, procura se legitimar com algum especialista na matéria que esteja sendo discutida. Nessa estratégia de dominação, que é mais simbólica do que material, é a posse do que é tido como verdadeiro que permite também se apoderar do que é percebido como justo ou injusto, honesto e desonesto, correto ou incorreto, bem ou mal e assim por diante. Controla-se a partir do prestígio científico, portanto, tudo o que importa na vida.”

Bom, mas de onde vem a ideia de educação marxista? Exatamente dessas teses aprovadas. Ou seja, Olavo tem razão! Calma! Razão dentro de sua mente deturpada.

A história da educação nos remete a sete tendências divididas em duas partes: as liberais e as progressistas. Para o texto não ficar muito extenso, vou falar apenas das últimas, as progressivas, que vêm a partir de Paulo Freire, constantemente atacado por Olavo e seus seguidores. Freire começa a ser levado em consideração a partir da Escola Nova, que faz parte da tendência liberal, antes da ditadura, e foi suprimida por ela, mas para não me alongar mais ainda os detalhes dessa história, abaixo consta  um vídeo sobre o Ginásio Vocacional (baseando-se na Escola Novista) que é interessante conhecer.



As tendências libertadoras, libertária e atualmente, Crítica Social dos Conteúdos ou Histórico-Crítica, que surgiram pós ditadura, têm em seu cerne as teorias freirianas (Paulo Freire), considerado marxista, (apesar de ter visto somente uma referência a Marx no rodapé de apenas um de seus livros). Os críticos dessas tendências, inclusive e principalmente Olavo, esqueceram de levar em consideração fatores determinantes de uma sociedade e de sua cultura.

O primeiro ponto a ser levado em consideração é sobre o conceito de cultura. Edward B. Tayor, o antropólogo britânico, pai do conceito moderno de cultura, define-a como “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Segundo essa definição, cultura é tudo aquilo que permeia o meio social e a escola é apenas uma ínfima parte dentro desse todo. Mesmo que todos os professores fossem marxistas, o que não é, todo o corpo discente de uma escola não seria, pois além dela (escola) existem outros fatores que são muito mais definidores de suas culturas (igreja, meio social etc.).

O erro de Olavo e seus seguidores é não levarem em consideração toda a história da nossa educação, inclusive a sua desvalorização política e social feita por aqueles que estão no poder desde a expulsão dos jesuítas, e todo contexto social e político. Simplesmente fazem uma análise superficial e partem do princípio de que, para barrarem essa “doutrinação marxista”, devem destruir as universidades públicas e toda as “ideias esquerdistas” que estão em seu interior.

O desmonte das universidades e escolas públicas está sendo feito a partir (também) de uma teoria conspiratória unindo à vontade política de dominar os poderes políticos e econômicos. O resultado é que temos um avanço significativo desse desmonte feito por esse governo, que tem no seu plano a extirpação dessa dita doutrinação alimentado por um cérebro deturpado.


Onde vamos parar eu não sei, mas se faz mais que urgente uma estratégia de difundir as ideias acadêmicas para a sociedade, pois, a meu ver, a mídia não está muito interessada na ciência propriamente dita, mas naquilo que proporciona status e dinheiro. Principalmente levar esse conhecimento aos mais jovens das escolas públicas, através de vídeos, textos, livros, depoimentos etc., mostrando ao Ministro da Educação que ela, a pesquisa científica, não é balbúrdia, como ele mesmo disse. Sei que isso já é feito, mas precisamos, neste momento, de um esforço muito maior e mais amplo.

Referências:

A ELITE DO ATRASO

FREIRE, Paulo. Pedagogia Da Autonomia. Saberes Necessários à Prática Educativa, 1996. Paz e Terra, Goiânia, Brasil, 2002.

GASPARIN, João Luiz. Uma Didática para a Pedagogia Histórico-Crítica. 2ª ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2003.



MONLVADE, João Antonio C. A Valorização dos Educadores na Constituição de 1988: Antecedentes e Consequentes, 2019. Volume V, A Constituição de 1988. O Brasil 20 anosdepois.https://www12.senado.leg.br/publicacoes/estudos-legislativos/tipos-de-estudos/outras-publicacoes/volume-v-constituicao-de-1988-o-brasil-20-anos-depois.-os-cidadaos-na-carta-cidada/educacao-e-cultura-a-valorizacao-dos-educadores-na-constituicao-de-1988-antecedentes-e-consequentes, acessado em 20/06/2019.

RIBEIRO, Paulo R. M. História da Educação Escolar no Brasil: Notas para uma Reflexão, 1993.http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-863X1993000100003, acessado em 19/06/2019.

Calô-Nassi, Liliam. Avaliação por pares: ruim com ela, pior sem ela. https://blog.scielo.org/blog/2015/04/17/avaliacao-por-pares-ruim-com-ela-pior-sem-ela/#.XRpn3ehKjcc, acessado em 01/07/2019.

domingo, 19 de maio de 2019

Educação não é balbúrdia




        Entenda o que são os “cortes” de gastos na educação. Será que eles ajudam a economia?





       Após os últimos protestos dos estudantes das universidades federais e estaduais, de escolas públicas, alguns das privadas, professores e trabalhadores contra a reforma da previdência e os cortes na educação, li diversos comentários nas páginas sociais, a maioria apoiando, conscientes do que isso acarretará ao país.  Mas  uma minoria ainda insiste, tentando defender algo sem ter a menor consciência, simplesmente por serem apoiadores de um Governo falido e por pura ignorância. Educação não é balbúrdia!  



             Muitos sequer conhecem o que está na Constituição e não sabem a definição do que é ser patriota, apesar de eu não gostar muito desse termo. Ele vem de pátria, que vem do Latim PATRIOTA, “o que ama ou serve à pátria”, do Grego PATRIOTÉS, de PATRIS, “terra natal”, por sua vez derivado de PATÉR, “pai”. Não sou patriota, pois não acredito nessa servidão à pátria, mas quero um país melhor e quem me conhece sabe que isso significa, como prioridade, uma educação pública de qualidade para todos e a diminuição das desigualdades sociais e, para isso, contamos com as prioridades do governo federal.

            Mas, qual a função do governo federal?

           Um presidente, que faz parte do executivo e do Governo Federal, deve em primeiro lugar ter como meta o bem-estar social (população/nação), diminuindo a desigualdade social, através de geração de empregos, moradia  etc. dando oportunidades a todos e, em segundo lugar, gerar crescimento econômico, nessa ordem.
Com relação à desigualdade, ela só pode começar a ser resolvida com, entre outros fatores,  educação pública de qualidade,  pois a 4ª revolução industrial, tecnológica e científica exige não só trabalhadores tecnicamente preparados, mas também cérebros pensantes, como o mínimo necessário para o desenvolvimento de uma sociedade.
Na postagem anterior, que você pode ler aquimostrei o que está por trás dessa manobra para destruir a educação pública, incluindo as universidades e essas pessoas que se dizem defensores da pátria, os ditos homens de bem, deveriam, antes de qualquer coisa, lutar pelo cumprimento da Constituição, que diz:

Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino.
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006).

            Como podem perceber é obrigação do Estado (ente federado) e da União financiar as instituições públicas federais, cabendo aos estados e municípios a educação básica. Então antes de acusar os Governos Federais dos índices ruins nas escolas públicas saibam o que determina lei e cobrem das pessoas certas (prefeitos e governadores).

           Com relação às Universidades Federais, diante do que vem acontecendo na nossa conjuntura política, elas estão muito bem, com bons índices, inclusive nas pesquisas básicas, que são essenciais para o crescimento do país. Vocês podem verificar aqui, na reportagem publicada em 26 set 2018 pela revista Exame e também na  Folha de São Paulo no mesmo ano.


            Para terminar, acredito que, se as pessoas usassem as redes sociais para debates realmente produtivos e divulgação de conhecimento, teríamos um país melhor e não elegeríamos um presidente só por ir contra um sistema ou a corrupção, pois isso (corrupção) só será revertido através da conscientização política da população e de uma educação pública laica, de qualidade e que respeite as diferenças, pois, ao contrário do que pensa o atual presidente, ele não governa sozinho nem apenas para os seus seguidores ou eleitores. Não estamos numa ditadura. Embora recente, estamos construindo nossa democracia e não podemos, como nesses últimos anos, nos deixar manipular e continuar cometendo erros após erros. Temos que nos conscientizar de que o conhecimento histórico/social/político é imprescindível e a internet, tanto quanto a escola, tem um papel fundamental nisso e, ao contrário do que essa nova política (neoliberal) nos faz acreditar, mercado não é a solução e liberar a economia também não. Os vídeos abaixo mostram o que significa tudo isso:       "Mercado não seria a solução, ele é o problema"



                                          A quem interessa o desmonte do Brasil?



           Vale ressaltar que as referências postadas aqui não devem ser sua única fonte de conhecimento. Uma sociedade consciente é construída com educação e criticidade. Lutemos por ambas.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Ministério da Educação e o Caos



O Ministério da Educação está indo para o buraco, junto com o país. Estou perplexa com o que vem acontecendo. 






segunda-feira, 4 de março de 2019

Ordem sem progresso




Diante de tudo o que venho acompanhando da nossa política, principalmente na área da educação, minhas impressões não são boas. No final do texto seguem as referências de tudo o que li para escrever esse texto, recomendo a leitura.
O novo governo conseguiu piorar o que já estava ruim e estamos diante de um bando de mentirosos e incompetentes que, juntos, trabalham para destruir qualquer avanço social e educacional.
Quem conhece o básico dos documentos educacionais sabe que estamos na contramão de tudo o que construímos, inclusive da Constituição de 1988, elaborada durante o governo Sarney, quando tínhamos acabado de sair de um governo militar e ditador e passamos a ser um governo civil. Um detalhe: essa mudança ocorreu com a “participação popular”, ou seja, houve muitos protestos, muitas passeatas, mas a decisão final acabou sendo mesmo uma costura política das forças que comandavam a nação.
A educação na época militar era segregadora e elitista, a ordem era imposta e os conteúdos eram mecanicamente decorados. Eu nunca fui muito boa para memorizar nada e sempre me saí muito mal nas disciplinas de história e geografia, por exemplo, pois não conseguia guardar na memória afluentes de rios, capitais, estados, datas etc. e o motivo é explicado na história da educação durante o Regime Militar, na maior parte de minha adolescência.
A Constituição anterior, aprovada durante o Regime Militar (1967) desobrigou os Estados e a União de um investimento mínimo em educação e a Carta de 1967 abre oportunidade para a iniciativa privada investir em educação, reforçado essa “oportunidade” pela Emenda Constitucional n°1 nesse mesmo ano. O Governo faz a concessão de bolsas e se desobriga do investimento na educação pública.
O modelo educacional da época era diferente, dividido em pré-primário, primário e colegial. Apenas a educação básica, hoje Fundamental I, era obrigatória por lei, mesmo assim com algumas exceções como doenças, falta de acesso a uma escola próxima entre outros e o aumento de matrículas foi considerável, o que era positivo. Mas, o grande problema é que houve aumento da demanda e não dos investimentos, ocasionando a falta e baixa qualificação docente e de estrutura, aumentando assim a desigualdade educacional e social.
Obviamente tiveram que tentar “tapar o buraco” na questão dos docentes com relação à qualificação, com a criação das tais licenciaturas curtas. A consequência foi o rebaixamento cultural da massa de trabalhadores da educação e a precarização das condições de trabalho, principalmente pela via do arroxo salarial a que todas as classes trabalhadoras foram submetidas, mas com resultados mais catastróficos para os professores, que não tinham como recuperar perdas salariais.
A ideia do governo militar era formar os filhos dos pobres para a mão de obra e as universidades estariam reservadas para a elite intelectual. Claro que sempre houve, em toda a história anterior do país (e atual também) os privilégios para a elite, mas na época da ditadura isso foi consideravelmente acentuado, pois as escolas públicas, destinadas aos pobres, perderam a qualidade, enquanto as escolas privadas, destinadas aos mais ricos, atraíam mão de obra mais qualificada, com salários relativamente maiores, e uma farta propaganda de sucesso.
A educação básica constrói uma disciplina obrigatória: a educação moral e cívica. A sociologia e a filosofia foram excluídas do currículo, além de alterações significativas nos conteúdos de história e geografia (visando à massificação de conteúdos decorativos) ao buscar enfatizar sempre o nacionalismo. Para minha alegria (que estudei nessa época) e a alegria de todos a educação moral e cívica foi abolida em 1993.

Agora há pouco, o “nosso” ministro Ricardo Vèlez Rodrigues fala sobre a retomada da Educação Moral e Cívica, como se pode ler na bibliografia deixada no fim do texto. Essa aberração não foi levada adiante, mas pela simples ideia de retomada já podemos entender o que ele pensa a respeito de educação para o país.
O ministro e todos aqueles que foram empossados pelo novo presidente, além de não quererem dar continuidade às novas tendências apresentadas pelos órgãos competentes da área, insistem em dar um passo para trás, para as décadas de 70 e 80. Acredito que conseguirão, pois é muito fácil manipular uma população carente, insegura, ignorante e faminta.
Com um governo todo aparelhado por militares mal-intencionados, ignorantes sociais e representantes políticos oportunistas, a chance de haver qualquer melhora, tanto para o educador quanto para o educando, é de zero por cento, afinal de contas a ideia deles é de permanecerem no poder.
Enganam-se aqueles que acreditam que teremos uma ditadura nos moldes de antigamente, ela será seguramente uma “ditadura democrática”, em que nem os “cidadões”, segundo Marcus Vinicius Rodrigues, novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), saberão o quanto estão sendo manipulados por aqueles que estão no poder e a palavra será sempre de ordem, mas sem progresso.

Os meus textos anteriormente publicado nesse blog sobre a ditadura http://fisicasemeducacao.blogspot.com/2013/01/ensino-bom-era-o-de-antigamente-sera.html


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

A afronta à educação e aos educadores




O ensino domiciliar e a criminalização da educação

POR RITA LISAUSKAS

Governo sugere, de forma subliminar, que pais são melhores que as escolas

O diabo mora nos detalhes, diz um provérbio alemão.
Por isso me chamou a atenção que uma medida provisória que pretende regulamentar o ensino domiciliar, o homeschooling, tenha sido gestada não no Ministério da Educação, mas sim na pasta da mulher, Família e Direitos Humanos da pastora Damares Alves, que já demonstrou com frases célebres como “mulher nasceu para ser mãe” e “meninos vestem azul e meninas vestem rosa” que a adoção de uma agenda conservadora nos costumes será prioridade de sua gestão.
Também me causa estranheza que algo descartado há pouco pelo Supremo Tribunal Federal avance tão rapidamente. A Suprema Corte considerou ilegal a opção pelo ensino domiciliar em setembro do ano passado. O ministro Ricardo Lewandowski lembrou que a educação “é direito e dever do Estado e da família, mas não exclusivamente desta, e deve ser construída coletivamente”. Segundo ele, um dos riscos do homeschooling seria “a fragmentação social e desenvolvimento de ‘bolhas’ de conhecimento, contribuindo para a divisão do país, intolerância e incompreensão.
A pauta que mereceu prioridade dos primeiros cem dias de governo é de interesse de cerca de 3,1 mil famílias de todo o Brasil, aponta a reportagem de Isabela Palhares, do Estadão, que cita números compilados pela ANED, a Associação Nacional de Educação Domiciliar. A própria ANED revelou, em sua página no Facebook, que foi quem escreveu o texto da MP,  “buscando garantir a maior liberdade possível às famílias, e também restringir ao máximo a interferência de agentes públicos e de interesses locais”. A iniciativa foi amplamente comemorada por seus associados. “Só Deus para recompensá-los! Reconhecemos todo o árduo trabalho que tiveram e somos imensamente gratos! E toda a honra e glória a Deus, que tem nos ouvido e estabelecido Sua perfeita vontade!“, comentou uma mãe. “Oh Glória! Deus vai abençoar e em breve todas as famílias poderão ser livres para educar seus filhos de acordo com suas convicções e princípios”, disse outra.

Ao tirar o debate e o MEC do jogo, o resultado pode ser este: crianças sendo educadas de acordo com as “convicções e princípios” de cada família. Existem pais preparados para a tarefa? Com certeza. Muitos. Mas também existem famílias que acreditam fortemente em criacionismo, no terraplanismo, na ideologia de gênero e que a Pepsi é adoçada com fetos abortados, por exemplo. O céu é o limite quando o Estado sai de cena.
Justiça seja feita: a ministra Damares afirmou em entrevista ao blog da jornalista Andrea Sadi que “ninguém será obrigado a educar os filhos em casa”, mas o governo deixa claro, ao eleger essa pauta como prioritária, que faltam propostas para vencer os reais desafios da educação brasileira: 53,5% das crianças do terceiro ano do ensino fundamental não conseguem fazer uma conta simples de matemáticaQuatro em cada dez jovens de 19 anos não terminam o ensino médio. Qual seria a solução para resolver esses problemas? Ainda não há propostas sobre a mesa, a não ser sugerir que os pais são melhores que as escolas, o que quase nunca é verdade. “O pai que senta com o aluno duas ou três horas por dia pode estar aplicando mais conteúdo do que a escola durante 4 ou 5 horas”, disse Damares à Andréia Sadi, afirmando que há “pesquisas” (quais?) apontando que os professores gastam até 40% do tempo em sala de aula tentando “gerenciar a classe” e, assim, não conseguem ensinar da forma como deveriam.


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Planos de governos dos candidatos para a educação, tirem suas conclusões!

 




Cada plano de governo é público e basta a consulta, eu peguei os resumos do site Brasil de Fato. É importante para o educador, antes de qualquer coisa, analisar cada um e ver qual condiz mais com a realidade em que estamos vivendo. Eu espero que com essa polarização os professores tenham criticidade e discernimento para decidirem o melhor, independente da ideologia.
                                         
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O programa de governo de Fernando Haddad, candidato pelo PT e ex-ministro da Educação durante os governos Lula, defende a revogação da EC 95, com o objetivo de elevar o financiamento público da educação e “visando progressivamente investir 10% do PIB em educação, conforme a meta 20 do Plano Nacional de Educação”.
Para a educação básica, Haddad propõe a implementação de “uma forte política nacional de alfabetização” bem como “promover a inclusão digital e tecnológica das crianças”. O programa de governo petista defende ainda ampliação da oferta de educação em tempo integral, a criação de uma “política nacional de valorização e qualificação docente”, a garantia do Piso Salarial Nacional e a implementação de uma Prova Nacional para Ingresso na Carreira Docente, além da retomada dos investimentos na educação rural, indígena e quilombola.
                                        
                                             Vídeo
O plano de governo apresentado pelo candidato do PSL, Jair Bolsonaro, propõe a modificação dos conteúdos programáticos trabalhados da educação básica, com “mais matemática, ciências e português, sem doutrinação e sexualização precoce”. Ainda em relação ao conteúdo, o candidato defende “expurgar a ideologia de Paulo Freire”, patrono da educação no Brasil. Propõe um modelo de educação superior voltado para o atendimento das demandas do mercado. O programa não aborda as formas de financiamento do setor. O candidato da extrema-direita votou favorável à EC 95.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

A escola subversiva






Ginásio Vocacional Oswaldo Aranha São Paulo 1969




Documentário sobre a experiência dos ginásios Vocacionais, pioneiros na educação pública brasileira, instalados nos anos 1960 em São Paulo, idealizados pela educadora Maria Nilde Mascellani, visando trazer pensamento crítico e realidade para sala de aula.


Assista aqui, vale a pena!!!

E como funcionava o sistema de ensino?

Veja aqui

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A esquerda precisa se articular

Estamos num momento muito complicado de nossa política. A divisão entre direita e esquerda tomou conta das opiniões. E o que mais me admira é assalariado achar que é de direita. Por que digo isso? Na minha concepção, esquerda vai muito além de partidos. É uma ideologia que, com o passar do tempo, vem se perdendo. A esquerda teria, por essência, de pensar na sociedade como um todo, independente da sigla partidária, construir uma visão em que as pessoas se respeitem, independentes de suas crenças ou posições, tenham os mesmo direitos sociais, as mesmas oportunidades de ascensão econômica e social.

 O que vemos hoje é o oposto, foi criado um ódio irracional à população mais carente, como se eles não conseguissem “vencer na vida” (independente do que esse termo signifique) por culpa única e exclusiva do próprio indivíduo. Os que defendem esse tipo de bandeira são os que ignoram a história política e social e analisam algo segundo o que pensam e as suas experiências e isso vem criando essa disparidade de pensamento.




O mais incrível de tudo isso é que essa ideologia, baseada no individualismo, vem sendo fomentada por pessoas muito poderosa (tanto economicamente quanto politicamente), pois estamos num país (e num mundo) onde prevalece o “ter” e não o “ser”. Mesmo muitas religiões pregam isso, a homofobia, o racismo etc., até de forma velada, vão incutindo no subconsciente a ideia de que cada um é responsável pelo seu sucesso ou derrota.
Grupos poderosos, que dominam a mídia e o poder econômico, vão instaurando cada vez mais esse pensamento individualista e egoísta, fazendo com que a palavra socialismo fosse restringida a poder e dinheiro e a questões partidárias e isso vem me preocupando muito!
Acredito que nossa juventude, as novas gerações, precisam de um mundo melhor, precisam de mais empatia e solidariedade e precisamos resgatar o sentido da essência do que quer dizer esquerda e socialismo e, acima de tudo, mais conhecimento, mais história, filosofia, sociologia, ciência etc., não como vem sendo feito através do nosso sistema de ensino, como a reforma do ensino médio.

Enquanto a esquerda não se articular, não se focar em uma ideologia comum e não se unir, continuaremos nos digladiando por um poder que, neste momento, está na mão dos mais fortes e poderosos, no sentido pejorativo mesmo. A hora agora é de conscientização e união!


Recomendo um artigo que, apesar de longo, mostra exatamente o porquê desse post e um vídeo de Gregório Duvivier, em que ele também fala sobre isso de forma muito irreverente, mas que nos faz pensar aonde vamos parar se não mudarmos algumas concepções.



E mais...

Gregório Duvivier

terça-feira, 13 de junho de 2017

De onde vem a desvalorização do professor


O papel e o valor dados à desvalorização do professorado nos remete a situações históricas e, ao conhecê-las, percebemos o quanto nosso trabalho se torna árduo para reverter essa situação. Em uma das muitas pesquisas pela internet me deparei com um artigo do professor doutor em educação da UNICAMP João Antonio Cabral de Monlevade, cujo título é “A valorização dos educadores na Constituição de 1988: Antecedentes e consequentes”. Nesse artigo ele nos remete ao papel e valor dado ao trabalho dos professores desde a época dos jesuítas, que foram os primeiros responsáveis pela educação pública básica e vale a pena conhecer a história:


 “As principais questões da educação escolar brasileira estão intimamente ligadas ao papel e ao valor dado pela sociedade ao trabalho dos seus professores. Neste texto, limitamo-nos à educação básica pública, que compreende hoje as etapas da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio, incluindo a modalidade de educação de jovens e adultos (EJA), destinada aos que não completaram sua escolaridade na idade própria. Os primeiros responsáveis pela educação básica pública – consideradas como tal as escolas gratuitas, financiadas pelo Estado e por ele controladas politicamente – foram os religiosos jesuítas, que fundaram seu primeiro colégio no Brasil em 1550, na cidade então nascente de Salvador, sede do Governo Geral da Colônia. Durante 210 anos, os jesuítas, professores e coadjutores não docentes, gozaram de imenso prestígio social, graças a sua sólida formação, em nível superior, sua ação educativa de alta qualidade e do padrão de vida que levavam em seus colégios. Não havia que se falar de “valorização”, porque já eram sobejamente valorizados. Exatamente porque constituíram uma verdadeira e bem-sucedida empresa comercial, que vendia milhares de cabeças de gado criadas nas fazendas que ganhavam da Coroa, acabaram sendo vítimas da cobiça dos governantes portugueses, quando de uma crise financeira da metrópole. Os mais de 2.000 religiosos que, em 1759, trabalhavam em 17 colégios e 200 escolas de primeiras letras, foram presos, expulsos do Brasil e de outras colônias e embarcados para Roma nos porões dos seus próprios navios. Diante do ocorrido, quem passou a exercer o magistério nas escolas primárias e secundárias do Brasil?


Num primeiro momento, religiosos de outras Ordens, como franciscanos, carmelitas, dominicanos e até beneditinos, mais afeitos à vida contemplativa e à pastoral dos sacramentos. A partir de 1772, os “mestres régios”, autorizados pela Coroa e assalariados pelas Câmaras Municipais, que governavam as vilas e cidades. Nesse momento, começa a questão do “desvalor” do trabalho dos professores, tanto pelo seu despreparo científico e pedagógico, quanto, principalmente, pelos baixíssimos salários que recebiam, insuficientes para a subsistência pessoal e de suas famílias, conforme relatos de alguns constituintes do Império, em 1823. A prática de pagar salários indignos perdurou por todo o século XIX, e adentrou o século XX, constituindo-se exceções somente os honorários dos professores de Liceus Secundários e Escolas Normais, entre 1870 e 1950. Os professores primários tinham vencimentos tão baixos que foram paulatinamente substituídos por mulheres, cujo sustento já era garantido pelas rendas do pai ou do marido, e que usavam o parco salário para despesas – dizia-se – do “pó de arroz”. De 1930 em diante, com a acelerada urbanização do País, e consequente expansão do número de escolas, de matrículas e de funções docentes, a educação básica pública não mais dispôs de professores e professoras oriundos das classes altas e médias. Tornou-se, assim, o baixo salário um problema crucial das escolas públicas, obrigadas a multiplicar turnos de trabalho para garantir maior remuneração a seus profissionais, que, cada vez mais, dependiam dela para a sobrevivência. Na década de 1950 e seguintes, aproveitando-se da inflação crescente que desvalorizava o cruzeiro, a moeda que então circulava, os governos estaduais –responsáveis por quase toda a rede de escolas secundárias – foram obrigados a pagar cada vez menores salários a seus professores, não obstante a destinação de 20% de seus impostos à manutenção e desenvolvimento do ensino, garantida pelas Constituições de 1934 e 1946. Despontaram nessa década os primeiros movimentos reivindicatórios dos professores, com greves, inclusive, em associações profissionais, já que lhes era proibido, como servidores públicos, constituir sindicatos. Com a Ditadura Militar, os professores foram submetidos a um regime de dócil contemporização com o “fato consumado” de sua desvalorização e compensados com alguns privilégios, tais como a aposentadoria especial, com cinco anos menos de trabalho que os demais cidadãos, e outras “vantagens” corporativas. Além disso, os mais talentosos e ambiciosos tiveram a oportunidade de migrar para as carreiras do ensino superior federal e estadual, em franca ascensão, ou tornarem-se empresários da educação escolar privada. Em 1960 fundou-se a Confederação dos Professores Primários do Brasil e em 1972, com a Reforma do Ensino de 1º e 2º Graus, ela passou a congregar todos os docentes do País, à exceção do ensino superior. Difundiu-se, então, a consciência de “classe desvalorizada” e aos poucos amadureceram propostas de “revalorização”.


As discussões na Constituinte Em 1986, realizaram-se as eleições para o Congresso Nacional – Senado e Câmara dos Deputados – com a missão de redigir uma constituição democrática para o Brasil. Foram eleitos alguns senadores e deputados que tinham um passado de lutas pela educação pública, e pela valorização do magistério. Entre eles, o Senador João Calmon, a quem se devia a revinculação de impostos à Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE) em 1983 (agora 25% da receita dos estados e dos Municípios), os deputados Florestan Fernandes, baluarte na defesa da escola pública após o falecimento, em 1970, de Anísio Teixeira, Hermes Zanetti, presidente da Confederação de professores do Brasil (CPB), e Gumercindo Milhomem, diretor da mesma confederação e presidente da Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), maior e mais aguerrida associação de professores, a esta altura já envolvida em greves e mobilizações de massa naquele estado. A Constituinte foi organizada em oito comissões e 24 subcomissões. Entre estas, a Subcomissão de Educação, Cultura e Esporte foi presidida por Hermes Zanetti, tendo João Calmon como relator. Os senadores e deputados constituintes sabiam que a valorização dos professores da educação básica pública, a partir do texto legal, não seria tarefa fácil. Primeiro, porque houvera um movimento histórico de desvalorização salarial dos educadores públicos, na medida em que aumentava o tamanho das redes e a arrecadação de impostos não acompanhava este ritmo de crescimento. Segundo, porque a maioria dos professores detinha, naquele momento, uma formação frágil, raramente superior ao nível médio, numa sociedade que passara a valorizar o diploma de educação superior. Terceiro, porque os professores pertenciam a milhares de carreiras municipais e a dezenas de carreiras estaduais, com disponibilidades financeiras desiguais, e na composição de seu salário não tinham a contribuição do Tesouro da União, como acontecia com os docentes das universidades federais e com algumas carreiras civis e militares. Quarto, porque tinha nascido um setor ao qual interessavam a desvalorização salarial dos professores públicos e sua jornada parcial: os donos de escolas privadas contavam com isso para recrutar mão de obra mais barata para seus estabelecimentos, a esta altura já tidos pela sociedade como “de melhor qualidade”. Todos na subcomissão – pelo menos em público – concordavam em que os professores precisavam ser mais valorizados, e que isso compreendia o pagamento de melhores salários. O problema era o “como”. O Senador Calmon já estava “calejado” de sua perseverante luta em conseguir a vinculação de impostos para a MDE, e sabia que era preciso uma participação da União para garantir melhores salários nos estados e municípios onde esses “percentuais vinculados” não eram suficientes. Os deputados sindicalistas, oriundos ambos de estados mais ricos, achavam que seria necessário um mecanismo legal não somente para financiar como para obrigar os governadores a pagar uma quantia “mínima” aos professores, que lhes servisse de base na progressão da carreira. A carreira profissional, que garantisse estabilidade e melhoria salarial progressiva, era um ponto de concordância de todos os constituintes, bem como o ingresso nela por meio de concursos de provas e títulos acadêmicos. Chegou-se então à ideia de um “piso salarial nacionalmente unificado”, a que correspondessem salários financiados, em parte, pelo respectivo governo, e em parte por recursos suplementares da União. Para isso, era preciso abrir o caixa do Tesouro mais em direção à educação básica e menos – relativamente – às universidades. De 13%, o Senador Calmon propôs subir para 18% o percentual dos impostos da União destinados à MDE. E, a modo de proposta mais definitiva, o texto da subcomissão indicava a carreira nacional do magistério como horizonte de valorização de todo o magistério da educação básica, independentemente de que ente federado financiasse suas remunerações. 

 O texto conforme promulgado Como era de se esperar de um Congresso de maioria conservadora, não obstante os ventos de democratização que sopravam no País, “carreira nacional” e “piso nacionalmente unificado” foram expressões expulsas do texto final, principalmente depois da ação dos constituintes do “centrão”, agrupamento majoritário de perfil conservador, que se opôs a tendências “esquerdizantes” e “socializantes” que viessem das comissões temáticas. Conforme se poderá perceber pelas palavras consagradas nos artigos de 205 a 214, que tratam da educação, prevaleceu um “compromisso” entre possíveis conquistas dos que defendiam a solução pública das demandas educacionais e os interesses privatistas ou clientelísticos, cobertos pela legislação então vigente. Em geral, pode-se dizer que os avanços se concentraram nos textos conceituais ou de “princípios”, incluindo o que trata do plano nacional de educação, e as amarras se fizeram em detalhes desses próprios artigos e em dispositivos mais “práticos”, que respaldavam costumes arraigados, como o do acúmulo de cargos e o de concessão de bolsas para escolas privadas com verbas públicas. Além disso, a subvinculação, por dez anos, de metade dos recursos de MDE da União, dos Estados e dos Municípios à erradicação do analfabetismo acabou regulada por um texto que desobrigava cada ente federado a investir nesta política, o que inviabilizava qualquer controle no uso dos recursos. Vinte anos depois, ainda temos cerca de 10% da população analfabeta.”...



 Bom! Como podem ver qualquer semelhança não é mera coincidência, é história! Para lerem o artigo completo acessem aqui