FÍSICA SEM EDUCAÇÃO

A única maneira de fazer o Brasil progredir é com educação, informação e caráter.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Aonde está a ética na ciência? Dentro da arca de Noé?




Tenho me perguntado isso nos últimos dias, quando tive conhecimento de alguns fatos. Como professora do estado tento ensinar aos meus alunos o conceito de ética, a tanto já esquecido, e pior, esquecido por pessoas que deveriam, por obrigação, ser exemplo dela. Deixo com vocês a postagem do professor Adonai Sant'Anna, que já fomos parceiros em uma postagem anterior sobre uma denúncia sobre o SARESP. Boa leitura!

Clique aqui para ter acesso ao texto


Aproveitando, deixo um texto que publicado hoje, dia 21/12/14, no jornal Folha de São Paulo, sobre o assunto para quem quiser se aprofundar e o grupo do Universo Racionalista  convidou o Doutor Marcos Eberlin para um debate, principal mentor do Design Inteligente, para um hangout que promete estrear em janeiro. Não podemos perder!



"A caixa-preta do design inteligente
Por Maurício Tuffani
21/12/14 03:33

O movimento negacionista da teoria da evolução de Charles Darwin (1809-1892) voltou a ser notícia recentemente ao realizar em Campinas (SP) o 1º Congresso Brasileiro do Design Inteligente. Há poucos dias, organizadores desse evento contestaram um manifesto em defesa da evolução de professores e pós-graduandos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Essa tréplica foi noticiada na quinta-feira (18.dez) por meu colega Reinaldo Lopes em seu blog “Darwin e Deus”.

Diferentemente do criacionismo tradicional, a teoria do design inteligente (TDI) não é baseada na interpretação literal bíblica sobre a criação do mundo e dos seres vivos. Não há entre os cientistas adeptos dessa teoria partidários da ideia de que o universo existe há menos de 6 mil anos.

Os adeptos da TDI alegam que a evolução por meio da seleção natural é uma teoria em crise porque que não consegue explicar diversas etapas da transformação dos seres vivos a partir de primitivos compostos orgânicos, há centenas de milhões de anos. A única explicação possível para essas lacunas, segundo a TDI, é a de que etapas cruciais dessas transformações resultaram da interferência de uma instância inteligente.

Na TDI não há sugestões de modelos explicativos para superar o alcance da teoria da evolução (TE). As inovações propostas pelo design inteligente são conceitos destinados a apontar limites da seleção natural. Exceto por sua postulação sobrenatural, a TDI não tem referenciais próprios, mas somente da teoria que pretende substituir. Sua agenda é reativa, pautada pela negatividade e sem um foco concreto na ampliação do conhecimento.

O design

Ao questionar o modelo darwinista, os adeptos da TDI afirmam que os avanços da bioquímica a partir dos anos 1950 revelaram que a origem da vida envolveu transformações complexas e impossíveis de terem sido realizadas sem a interferência externa de uma atividade inteligente. Eles chamam essa intervenção de planejamento ou design inteligente.

Em seu livro de 1996, o bioquímico Michael Behe, da Universidade Lehigh, nos estados Unidos, um dos principais defensores dessa teoria, afirmou:

“A necessidade de controle é óbvia no caso das máquinas que usamos na vida diária. Uma serra que não pudesse ser desligada seria um grande perigo, e um carro sem freios tampouco teria utilidade. Sistemas bioquímicos também são máquinas que usamos na vida diária (quer pensemos nelas ou não) e também têm de ser controladas.”
(Michael Behe, “A Caixa-Preta de Darwin: O desafio da bioquímica à teoria da evolução”, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1997, pág. 161)

Em sua resposta ao manifesto da UFRGS, os adeptos brasileiros da TDI, liderados pelo químico Marcos Eberlin, da Unicamp, destacaram, mas sem justificar devidamente com referências, que as chances para a origem da vida na Terra há centenas de milhões de anos teriam sido de uma para um número representado pelo algarismo “1” seguido por 10.123 zeros (1/1010123).

Em 29 de abril de 2010, em sua palestra de encerramento do 3º Seminário Internacional Darwinismo Hoje, na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, Eberlin mostrou uma probabilidade maior, que seria de um quociente com 195 zeros (1/10195), mas alegando que ela não seria alcançada nem mesmo por todos os recursos probabilísticos do universo.

Refutações

Ao se contrapor à TDI e até mesmo ao criacionismo bíblico, evolucionistas muitas vezes incorreram em graves erros do ponto de vista epistemológico e até mesmo do lógico. A principal bobeada tem sido a afirmação de que a seleção natural é “cientificamente comprovada”.

Na epistemologia, até mesmo aqueles que não simpatizam com o trabalho do filósofo da ciência austríaco Karl Popper (1902-1994) reconhecem a demolição por esse pensador da crença cientificista de que uma teoria pode ser provada. Seu clássico “A Lógica da Pesquisa Científica”, de 1934, deixou definitivamente claro que uma teoria pode ser corroborada por observações e experimentações —ou seja, sobreviver à confrontação empírica— ou refutada por elas, mas nunca pode ser comprovada.

Popper, no entanto, não era um refutacionista ingênuo. Assim como outros estudiosos da epistemologia desde essa sua obra, ele sabia que do ponto de vista prático é razoável admitir explicações casuístas (“ad-hoc”) para anomalias, de modo a preservar as teorias, principalmente na falta de alternativas para substituição.

Essa opção pela preservação da teoria em face de anomalias é ressaltada por muitos adeptos da TDI ao se insurgirem contra o darwinismo, como mostra a citada resposta de seus adeptos brasileiros ao manifesto da UFRGS:

“(…) poderíamos mencionar aqui quase uma centena de artigos científicos, de renomados e abalizados cientistas evolucionistas, questionando a robustez de alguns aspectos fundamentais da TE no contexto de justificação teórica e que apontam para outra direção.”

Paradigmas

É com base nesse ponto que alguns defensores da TDI têm invocado o trabalho do físico teórico e historiador da ciência norte-americano Thomas Kuhn (1922-1996). Em seu livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”, de 1962, esse autor mostrou porque nem sempre a confrontação empírica é decisiva na preservação ou substituição de teorias.

Kuhn estabeleceu o conceito de “paradigmas”, que são compromissos conceituais, metodológicos e instrumentais compartilhados pelos membros de uma especialidade científica durante um determinado período. Um paradigma, diz Kuhn, dirige a pesquisa científica para a articulação dos fenômenos já definidos por ele e reforçados pela educação profissional. Segundo o autor:

“A ciência normal não tem como objetivo trazer à tona novas espécies de fenômenos; na verdade, aqueles que não se ajustam aos limites do paradigma freqüentemente nem são vistos”.
(Thomas Kuhn, “A Estrutura das Revoluções Científicas”, Editora Perspectiva, São Paulo, 1982, pág. 45)

Afirmações como essa têm sido aproveitadas por defensores da TDI, para os quais revisões críticas dentro do próprio darwinismo deveriam levar a refutações à TE. Esta, no entanto, segundo os antievolucionistas, conseguiria prevalecer por ser amplamente majoritária nas universidades e instituições de pesquisa. Como afirmou Behe em seu livro já citado,

“Muitas pessoas, inclusive importantes e renomados cientistas, simplesmente não querem que um ser sobrenatural afete a natureza, por mais curta ou criativa que essa intervenção tenha sido.”
(Behe, “A Caixa-Preta de Darwin”, pág. 245).

Zona de conforto

Lamentavelmente, grande parte dos pesquisadores evolucionistas jamais se dispôs a responder às críticas de adeptos da TDI. Certos de conseguirem manter as publicações acadêmicas praticamente imunes à apresentação e à aceitação de artigos contrários à TE, muitos cientistas têm optado por ignorar essas contestações.

Na imprensa, por sua vez, muitos jornalistas e editores de ciência não têm dado espaço para abordagens sobre o assunto, seja pela escassez de artigos devidamente avalizados sobre a TDI, seja por considerarem essa teoria como um criacionismo disfarçado de ciência.

No caso dos argumentos epistemológicos, essa indisposição para o debate foi ainda maior, menos movida pela indiferença provida da zona de conforto do que pelo fato de que lógica e filosofia da ciência geralmente não são disciplinas prioritárias na formação de cientistas.

Assombrações

De um modo geral, as manifestações acadêmicas sobre a TDI têm ocorrido sob a forma de documentos coletivos de entidades científicas ou de grupos de pesquisadores, como foi o caso do posicionamento na UFGRS. Em que pese a pertinência de argumentos apresentados, esse procedimento tem sido pouco eficiente para promover um debate sobre o assunto. Para a maioria tem servido muito mais como uma forma de recusa de debate. Felizmente também têm surgido blogs ou redes sociais de evolucionistas com boas contribuições, mas com alcance restrito.

Com essas e outras, o fantasma criacionista empurrado pela academia e pela imprensa para dentro do armário tem conseguido muitas vezes explorar o vazio deixado na opinião pública por cientistas e jornalistas.

Contra essas assombrações, os poucos antídotos disponíveis de maior alcance mais recentes têm sido alguns livros de divulgadores da ciência como “Deus, um Delírio” (2006), do geneticista britânico Richard Dawkins, e “Quebrando o Encanto” (2006), do filósofo da ciência e neurocientista norte-americano Daniel Dennett, e a série de televisão “Cosmos: Uma odisseia no tempo”, do astrônomo norte-americano Neil deGrasse Tyson e remake de “Cosmos: Uma viagem pessoal”, de 1980, idealizada e apresentada pelo astrônomo Carl Sagan (1934-1996).

Falácias

Na verdade, o apelo aos clássicos da epistemologia em favor da TDI só é possível por meio de falácias, a começar pela incompatibilidade com a proposta do planejador inteligente como axioma não só para a biologia, mas também para a paleontologia, a bioquímica e outras áreas associadas à evolução. Como exemplo dessa formulação, recorrerei novamente a Michael Behe, que é um dos defensores dessa teoria menos enfáticos no proselitismo religioso.

“Há um elefante em uma sala cheia de cientistas que tentam explicar o aparecimento da vida. O elefante é rotulado de ‘planejamento inteligente’. Para uma pessoa que não se sente obrigada a restringir sua busca a causas não-inteligentes, a conclusão óbvia é que muitos sistemas bioquímicos foram planejados. Eles foram desenhados não por leis da natureza, pelo acaso ou pela necessidade; na verdade, foram planejados. O planejador sabia que aparência os sistemas teriam quando completos, e tomou medidas para torna-los realidade em seguida. A vida na Terra, em seu nível mais fundamental, em seus componentes mais importantes, é produto de atividade inteligente.”
(Behe, “A Caixa-Preta de Darwin”, pág. 195)

Além de não apresentar um modelo explicativo alternativo ao mecanismo da seleção natural, essa postulação gera graves implicações não só em seus aspectos epistemológicos, mas até mesmo do ponto de vista lógico.

Sem confrontação

A ser aceita como verdadeira a hipótese de uma “mente inteligente” condutora da transformação dos seres vivos, e adotada como princípio fundamental para a TDI, essa teoria se torna ambiguamente capaz de deduzir não só uma predição expressa por um enunciado A como também seu contraditório não-A.

Embora espera-se que os adeptos do design inteligente não se atrevam a cometer o disparate de realizar deduções desse tipo, a simples contaminação da TDI por essa possibilidade impede essa teoria de ser confrontada empiricamente por meio de observações ou experimentos.

Em outras palavras, as inferências ou deduções a partir do axioma central da TDI não poderão ter conteúdo empírico, ou melhor, não atenderão ao requisito da falseabilidade, formulado por Popper como critério de demarcação entre as ciências empíricas e outras formas de conhecimento. Tudo estará subordinado à vontade de uma “mente inteligente” capaz de direcionar as mutações para qualquer direção que se queira, seja pela vontade do designer sobrenatural ou da conveniência de seus criadores mundanos.

Teoria estéril

A falta de um modelo explicativo que seja uma alternativa à seleção natural é uma omissão muito mais grave que as lacunas dos registros fósseis ou as faltas de explicações para determinadas transições evolutivas.

No final das contas, as principais formulações teóricas dos proponentes da TDI são muito mais objeções à TE. É o caso, por exemplo, do conceito de complexidade irredutível, descrito por Behe:

“Com irredutivelmente complexo quero dizer um sistema único composto de várias partes compatíveis que interagem entre si e que contribuem para sua função básica, caso em que a remoção de uma das partes faria com que o sistema deixasse de funcionar de forma eficiente.”
(Behe, “A Caixa-Preta de Darwin”, pág. 48)

Em outras palavras, o conceito de sistema irredutivelmente complexo serve para definir o que não poderia ser explicado pela seleção natural. Embora o próprio Behe admita em seu livro que nem tudo o que não tem explicação não pode ser considerado impossível de vir a ser explicado (pág. 179), o autor lamentavelmente formulou esse conceito que a priori rejeita a possibilidade de virem a serem formuladas explicações evolutivas para esses sistemas a partir de outras estruturas.

Desse modo, no conceito de complexidade irredutível há uma boa dose de aposta naquilo que os lógicos chamam de falácia do “argumentum ad ignorantiam”, o qual, trocando em miúdos, equivale à afirmação de que se não conheço uma coisa, ela não existe.

Em que pesem as críticas a Michael Behe, é preciso reconhecer que ele e alguns proponentes da TDI têm se mantido distantes da militância obscurantista de criacionistas bíblicos e suas instituições. Infelizmente, esses bons exemplos de independência não têm sido seguidos por todos adeptos do design inteligente. Boa parte deles parece muitas vezes apostar nas mesmas ingerências religiosas espúrias no plano da ciência que foram fomentadas e acirradas desde a primeira metade do século 20.

Acirramento

Os apelos de adeptos da TDI à obra de Thomas Kuhn começaram como argumentos em favor da mudança paradigmática por meio do reconhecimento dessa teoria pela academia. No entanto, isso não seria possível mesmo que houvesse na TDI um modelo explicativo alternativo à seleção natural e não se fundamentasse em um axioma incompatível com a falseabilidade. Na verdade, a teoria de Kuhn não formula nenhuma obrigação de substituição de um paradigma por outro mais novo. Segundo esse pensador,

“A competição entre segmentos da comunidade científica é o único processo histórico que realmente resulta na rejeição de uma teoria ou na adoção de outra.”
(Kuhn, “A Estrutura das Revoluções Científicas”, pág. 27)

No entanto, os apelos de adeptos do design inteligente ao pensamento de Kuhn já passaram há algum tempo para outra linha de ação, que é a da desqualificação dos seus contrários. Ou seja, a obra desse autor passou a ser invocada para culpar a academia por não reconhecer a TDI e por não serem aceitos pelos periódicos de prestígio os artigos baseados nessa teoria. É uma afronta ao pensamento de Kuhn sua obra servir como álibi para a precariedade epistêmica do design inteligente.

Na verdade, a TDI tem dado razões de sobra para ser rejeitada pela academia, seja pelo envolvimento com as hostes do criacionismo bíblico, seja por sua precariedade epistêmica. Essa fragilidade se deve não só a seu fundamento sobrenatural e avesso à confrontação empírica, mas também à falta de modelos explicativos e a seus conceitos destinados apenas a negar a evolução.

Longe de ter seu foco na ampliação do conhecimento, a agenda da TDI é reativa e referenciada na teoria que pretende demolir. Essa agenda de orientação negativa é a verdadeira caixa-preta do design inteligente."




quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Considerações sobre a eleição e a educação




Este ano ficou marcado na história do País, nessas eleições fiquei estarrecida diante de comentários de alunos, completamente despolitizados, tomando partido de coisas que desconhecem totalmente. Meu voto e minhas campanhas sempre foram a favor da educação, não votei em um partido, mas em uma continuidade de um progresso, principalmente na área. Lembro-me das manifestações do ano anterior e o que mais me marcou foi a falta de foco. A meu ver, foram feitas por uma oposição que só queria uma coisa, usar a população para tirar um governo e fiquei muito triste por isso, pois mais uma vez a população foi manipulada a favor de interesses políticos que passavam bem longe dos interesses populares. Todos estavam lá por interesses diversos, mas não interesses comuns, como deveria ser uma verdadeira manifestação.


Essa polêmica toda trouxe não só a vitória de um presidente, mas trouxe esperança por uma política melhor, para que os alunos se conscientizem mais da importância do entendimento político. Muitos nem sabem o porquê de gostarem ou não desse ou daquele candidato, desconhecem as verdadeiras responsabilidades de cada governo (federal, estadual e municipal), culpando, assim, as pessoas erradas e, pior ainda, fazendo campanhas pelas pessoas erradas, tanto positivas quanto negativas. Precisamos de educação pública de qualidade, mas muito mais que isso, a conscientização e participação política de nossos jovens são imprescindíveis e não me refiro à classe média, mas à classe mais carente, alunos de escolas públicas, pois são eles que influenciarão as políticas futuras.



 Essas eleições mostraram isso nitidamente, pois o Brasil foi dividido em regiões e a xenofobia e as desavenças sociais nas páginas sociais mostraram o quanto o Brasil ainda precisa evoluir.  E o pior é que esse preconceito ficou evidente nas classes que se diziam mais bem educadas. Precisamos de pessoas conscientes, de adultos conscientes e sem preconceitos. Precisamos de brasileiros que lutem por algo em comum, uma união de todos pelo bem de todos e todo o resto será a consequência, um país melhor e mais politizado.



terça-feira, 7 de outubro de 2014

Um adentro sobre as eleições...cuidado ao ler!



Estamos numa época bem complicada e precisamos refletir muita no que lemos, principalmente quando são coisas referentes a grande mídia...

"Votar contra o PT não é votar contra a corrupção.
Se olharmos o número de candidaturas barradas pela Lei da Ficha Limpa em 2012 e agora encontramos o seguinte: 2,4% (de um total de 2.653) das candidaturas do PSDB foram barradas contra 1,2% (de um total de 3.096) das candidaturas do PT. Em números absolutos o PSDB só perde para o PMDB na colocação geral do número de candidatos com ficha suja, proporcionalmente é bem provável que fique no primeiro lugar.
Se há essa impressão de que o PT está mais vinculado com a corrupção do que o PSDB (ou qualquer outro partido), que hipótese melhor explica isso? Se não fosse mera impressão, mas fato, o PT não teria mais candidaturas com ficha suja? Por que a hipótese de que o PT é corrupto seria objetivamente melhor do que a hipótese de que há setores interessados em fazer o PT parecer pior do que é? Ou que a hipótese de que você (que é anti-PT) está apenas fazendo raciocínios tendenciosos, passionais, alimentados por alguma frustração vaga (ou não), por exemplo? O antipetismo pode ser compreensível, mas o mero ímpeto contra a corrupção não torna ele justificado. Ele esbarra nos fatos e se esfarela.
Além disso, a preocupação excessiva com a corrupção distorce o pensamento político. Achar que devemos guiar nossas decisões considerando somente “é corrupto” contra “não é corrupto” é como achar que devemos guiar nossas decisões sobre uma dieta adequada considerando somente “engorda” contra “não engorda”. O importante é ter primeiro uma noção clara do que seria a política desejável (ou a dieta adequada). Se os fins estão errados não vai adiantar discutir a qualidade dos meios. O antipetismo pode não só fazer ver corrupção onde não há como pode fazer pensar que a corrupção (ou a falta dela) é tudo que há para se ver. Portanto, não bastaria pensar que votar contra o PT é votar contra a corrupção, também seria preciso ter bons argumentos para votar contra as políticas que ainda norteiam o PT (o que não é tão fácil quando um ganhador do Nobel de Economia, Paul Krugman, diz que o Brasil está indo muito bem, por exemplo). Assim, é bem provável que o voto antipetista mais honesto seja o voto em branco, qualquer coisa diferente disso vai exigir razões que andam escassas.
“O bom senso é a coisa mais bem distribuída do mundo: pois cada um pensa estar tão bem provido dele, que mesmo aqueles mais difíceis de se satisfazerem com qualquer coisa não costumam desejar mais bom senso do que têm.” —Descartes (seria bom não ter que citá-lo em tom irônico, mas anda difícil)"

domingo, 28 de setembro de 2014

“Eu apoio a Educação Aberta”

O Projeto REA.br e a Comunidade REA Brasil atuam para levar a causa da Educação Aberta e dos Recursos Educacionais Abertos(REA) a estudantes, educadores, formadores, autores, escolas, universidades, editoras, políticos, governos, fundações e outros que compartilham a visão de uma educação inclusiva e acessível a todos.
Uma das maneiras de garantir o acesso à educação, a materiais de qualidade e permitir inovação metodológica é por meio de×Públicas que apoiem os REA e determinem que todo o investimento público na compra ou desenvolvimento de recursos educacionais deve dar preferência a REA.
O Estado, na execução de suas atribuições, deve agir para viabilizar o potencial de todos. Por essas razões, ao subvencionar a produção intelectual, destacadamente aquela voltada para promover o desenvolvimento de capacidades por meio da educação, o Estado deve garantir que o produto desse investimento possa ser aproveitado livremente por todos.
Neste sentido, o Projeto REA.br trabalha desde 2008 apoiando os decisores políticos na construção de políticas públicas e legislação que garantam o acesso aos recursos educacionais resultantes do investimento público direto e indireto.
Para saber mais, acessem o link: REA 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Sorria! Você está sendo manipulado.




Estudando as tendências educacionais que, durante muito tempo critiquei por pura ignorância, pude notar uma tendência social e globalizada, mas quando me refiro ao social, não estou falando de um socialismo, pelo menos não de um sistema político e sim de uma preocupação pela sociedade, pelo mundo.

As teorias estudadas hoje mostram essa nova tendência aplicada à educação. Apesar de os autores seguidos serem de séculos anteriores, eles teorizaram e, de certa forma, previram os problemas gerados pelo sistema atual, o capitalismo. A meu ver, o problema não é o capitalismo em si, mas o que ele causou ao meio social e, como diz William Shakespeare: “Que época terrível é essa quando  idiotas dirigem cegos”. Segundo muitos desses autores, não foi o homem que fez o sistema, foi o sistema que fez o homem e este se adaptou a ele, da pior forma possível.

As críticas de diversos autores ao capitalismo, que serão citados ao final desse texto, assim como as respectivas bibliografias para pesquisa, foram a forma como a sociedade foi moldada e como vive escrava desse sistema. A princípio parece um exagero, mas, analisando a coisa de modo imparcial, vejo que não. Hoje, a sociedade moderna se resignou a viver num sistema que aliena, o espaço urbano passou a ser um cenário com muros, barreiras, fronteiras e o objetivo de tudo isso é o transporte de mercadorias, destruindo assim todos os recursos naturais do planeta. O homem moderno vive em casas ou apartamentos que se assemelham a jaulas e, o que é pior, pagam por isso. Passamos a vida acumulando mercadorias que, de acordo com os anúncios, nos trazem felicidade e a plenitude.
Hoje, ele, o sistema, detém os meios de comunicação e o cidadão vem-se alienando a tudo quanto é meio de comunicação. Essa história começou pelo rádio, depois a TV e hoje os computadores e celulares, nos afastando cada vez mais de nossos semelhantes, nos alienando cada vez mais, difundindo mensagens ditadas por ele. Um sistema que promove a desigualdade como critério de progresso, afinal, no sistema capitalista a fome nunca vai desaparecer, apenas nos acostumamos a ela.


Esgotamos os recursos, o lixo acumulado pelo descarte excessivo vem hipotecando nosso planeta, as empresas produzem e reproduzem cada vez mais e os mesmos que poluem, os donos dos meios de produção, se dizem os salvadores do planeta, fazendo com que os cidadãos se sintam responsáveis pela depredação do ambiente em que vivemos. Tentam nos convencer de que bastaria que nós, cidadãos, mudássemos a nossa maneira de agir e o mundo estaria salvo. Culpam-nos de continuarmos poluindo, mas nunca mudam o seu sistema de produção:  o que eles pregam é que bastaria mudar alguns detalhes (de parte do cidadão), mas na verdade eles, os verdadeiros responsáveis, não mudam e nada muda.
A sociedade moderna trabalha cada vez mais para comprar, a crédito, a nossa alienação. Poucos trabalham no que gostam, pois o que vale é o dinheiro. A medicina, hoje tão avançada, apenas nos cura, quando cura, os males que esse sistema nos impõe, mas não trata as causas, só as consequências. Para amenizar essas “dores” e nos dar conforto, necessitamos de um deus, mas ele se tornou nada mais e nada menos que um pedaço de papel, o deus hoje se tornou o dinheiro e em nome dele, o homem moderno estuda, trabalha e chega até a abrir mão de certos valores. O que esse novo deus prega é que quanto mais dinheiro, mais liberdade e, assim, serve-se e obedece-se a esse novo deus, tendo a ilusão da liberdade e da felicidade impostas pela nossa mídia e pelos senhores donos de produção. A nova sociedade se adaptou ao mundo tal como ele é e não se rebela, pois se conformou a isso. O verdadeiro criminoso é aquele que contribui consciente ou inconsciente para essa demência, o poder e o dinheiro.


Na forma de imagens é que essa alienação é mais forte. Como a mais direta e a mais eficaz  maneira de comunicação, ela pode ditar modelos, regras, condutas e moral, valores, ideias, felicidade, enfim, vender é a única coisa que importa. Para que haja uma mudança radical, precisamos mudar aquilo que nos aliena, a linguagem (comunicação dos meios).
Além da linguagem, é no poder do voto que o homem acredita que domina esse poder. Quando escolhe seus governantes, o cidadão acredita que está exercendo a democracia. A sociedade moderna acredita que existem diferenças ideológicas partidárias, pois nossos partidos dominantes, os que detêm o poder, são dominados pelo deus mercado. Enquanto os meios de comunicação divulgam debates fúteis, o cidadão acredita que existe democracia.
Democracia é definida pela participação massiva dos cidadãos nos problemas sociais. Ela é direta e participativa, através de assembleias, mas o que os parlamentares hoje fazem é limitar o poder do cidadão pelo próprio direito a voto, afinal os que estão sentados nas cadeiras parlamentares representam, isso sim, a classe dominante, seja ela direita ou esquerda. Com o direito ao voto, escolhemos a quem vamos servir, essa é a verdade, mas acabamos sendo cúmplices da minoria dominante que detém o poder e eles acabam nos esmagando. Afinal tudo gira em torno da compra, venda, produção, acúmulo e consumismo, tornando o nosso planeta uma simples mercadoria. Aqueles que o cidadão elege são uma minoria dominante que segue o deus mercado. O monopólio da aparência e eles, junto com a mídia, determinam o que é bom ou mau. A nossa democracia liberal não passa de totalitarismo.

A educação hoje tenta mudar essa imposição, estamos tentando passar por uma nova transição, que Hanna Arent chamou de pós modernismo. Recomendo a leitura. Precisamos ensinar nossas crianças e jovens a se libertar e, através dessa era tecnológica, se comunicar com os seus semelhantes. Libertar-se dessa mídia “massificante” e controladora e passar a ver o planeta como nosso lar e não apenas uma propriedade.


Bibliografia para leitura:
ADORNO, Theodor W. Educação e emancipação. “Educação – para quê?”, “A educação contra a barbárie” e “Educação e emancipação”).
ARENDT, Hannah. A crise na educação. Entre o passado e o futuro.
BALL, Stephen J. Intelectuais ou técnicos? O papel indispensável da teoria nos estudos educacionais. Políticas educacionais:questões e dilemas.
BOURDIEU, Pierre. A escola conservadora: as desigualdades frente à escola e à cultura. Escritos de Educação.
CHARLOT, Bernard. A Mistificação Pedagógica: realidades sociais e processos ideológicos na teoria da Educação.
DURKHEIM, Emile. Educação e Sociologia. 
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão,
YOUNG, Michael. Para que servem as escolas. Educação e Sociedade,  Disponível emhttp://www.scielo.br/pdf/es/v28n101/a0228101.pdf
MESZAROS, Istvan. A educação para além do capital.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Subjectividade, Cidadania e Emancipação . Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade.