FÍSICA SEM EDUCAÇÃO

A única maneira de fazer o Brasil progredir é com educação, informação e caráter.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Sobre as ocupações... Só a educação liberta!





 O professor Adonai Sant'Anna da Universidade Federal do Paraná, onde está ocorrendo a maioria das ocupações e por quem tenho profunda admiração, fez uma publicação em caráter extraordinário sobre as ocupações no seu blog (leia aqui ). Resolvi não só divulgar seu posicionamento como pontuar algumas coisas das quais discordo.



  
 Achei louvável o professor ter-se prontificado a ministrar aulas na parte de fora do prédio, pois a universidade estava ocupada, mas a grande questão, a meu ver, foi o porquê disso. O movimento está mesmo colocando povo contra povo, mas quem faz o papel de intermediador nessa história é a mídia, sempre no papel de advogado do diabo. O professor critica a posição da UFPR em relação às ocupações, a qual até agora não se posicionou nem contra e nem a favor, com o que concordo plenamente. Sempre gostei do posicionamento das pessoas e, no caso da universidade, acho que não é um bom posicionamento, essa neutralidade, já que a PEC, a Reforma do Ensino Médio e a Escola sem Partido, que estão interligadas, prejudicarão todas as universidades do país, pois o que está por trás de tudo isso é a privatização e eles sabem disso. A UFPR deveria, assim como todos os professores, apoiar as ocupações, que são uma das formas de exercermos a democracia, tão fragilizada, já que as medidas que o governo vem tomando são ditatoriais e arbitrárias.


Quando o professor Adonai se refere ao número de curtidas, compartilhamentos e comentários, dizendo que, diante do quadro atual são inexpressivos, eu concordo plenamente, mas isso só reflete o papel manipulador da mídia, que até agora também simplesmente ignorou os fatos,  ou criticou-os, salvo algumas exceções. Criticar manifestantes pela falta de discernimento só agrava a situação, aliás esse foi o posicionamento do nosso digníssimo presidentO. Como professores e seres pertencentes à sociedade deveríamos apoiá-los e orientá-los, diferente de doutriná-los (enfatizar bem isso, porque hoje em dia com a Escola Sem Partido tudo vira doutrinação e até aliciamento). Quando ele fala sobre a cultura afro-brasileira no seu texto e a ênfase dos alunos que fazem nas ocupações nesse assunto, só tenho a dizer que estão mais do que certos, pois num país onde temos a maioria de negros e a minoria deles numa universidade e, principalmente, numa universidade pública, demonstra que tudo isso tem tudo a ver com essas ocupações e com a PEC que tira dos mais pobres a oportunidade de ingresso nessas universidades e são eles que sofrem e sofrerão mais com tudo isso, não tem como negar.


A aula sobre materialismo histórico, no momento em que o país está, nesse retrocesso social, é mais importante, pois a conscientização política, criticada anteriormente, é de extrema necessidade, mais do que aprender fórmulas.  Apesar de ser professora de física, acredito na interligação de todas as disciplinas como instrumento de busca da compreensão do meio social e histórico, principalmente o atual.
Acredito que a física e matemática deveriam estar inseridas dentro desse materialismo histórico e isso é possível: é só uma questão de pontuar o que é relevante na situação atual do país, se é mais importante saber resolver equações ou funções ou saber se posicionar politicamente, fortalecendo a democracia.

Todas  as disciplinas são importantes, seja área de exatas, humanas ou biológicas, só que é exatamente isso que todas essas reformas impostas vão fazer, tirar a importância de todas e remetê-las a apenas duas, português e matemática, o resto se tornará irrelevante.
A meu ver, o grave erro cometido é a falta de posicionamento em favor desses estudantes, já que toda a sociedade será atingida caso essas reformas sejam aprovadas (e tudo caminha pra que sejam) e isso não é uma simples manifestação contra o aumento da passagem do ônibus (não menos louvável), mas algo que se relaciona à educação e ao futuro do país.


O grande inimigo do povo brasileiro é a ingenuidade, com certeza, mas em vez de se unirem contra essas medidas ditadoras, preferem ficar uns contra os outros. A liberdade de pensamento ocorrerá se essas reformas forem feitas? Não, pois elas virão exatamente para acabar com o pensamento crítico, o ceticismo, tão importantes nas ditas ciências da natureza. O momento agora não é de se posicionar contra estudantes, todos devem estar do mesmo lado, afinal todos esses anos o que os governantes, junto com a mídia manipuladora, fizeram foi desestimular, desmotivar e desvalorizar professores, é uma mídia que insiste em fazer com que acreditem que, para resolver o problema econômico do país, que eles mesmos criaram, devem sacrificar apenas o pobre e sua educação. O que falta na sociedade é posicionamento e atitude. A educação liberta!


 



No Facebook, os alunos da ocupação publicaram uma resposta também ao prof. Adonai:
Resposta ao artigo sobre as ocupações publicado pelo professor Adonai Sant'Anna:
(não temos permissão para publicar no perfil do professor, por isso publicamos por aqui)
Nossa resposta aberta:
"
Caro Professor Adonai,
Muitos dos que aqui ocupam o bloco PA e PC foram e são seus alunos, e por isso apreciamos seu oportuno posicionamento.
Algumas de suas críticas ao movimento são compreensíveis, porém não se confirmam.
Citamos alguns exemplos, rebatendo algumas dessas críticas:
“Já não é fácil ter que encarar alunos que não estudam, que não perguntam, que não questionam o conhecimento supostamente estabelecido, que não conhecem coisa alguma do mundo onde vivem. Mas mais difícil ainda é encarar um movimento desfocado e inconsistente, em um ambiente míope e intelectualmente estagnado"
A greve estudantil, assim como as ocupações surgem exatamente para estudar, perguntar e questionar mais o mundo que vivemos, especificamente neste caso o modelo político vigente, que permite que a MP746 seja imposta sem o necessário diálogo e debate, o mesmo com a PEC 55. Se a condução desse debate está enviesada é passível de divergências, mas é inegável que se está discutindo e procurando entender melhor os meandros da PEC e da MP do que anteriormente ao movimento.
"O que se faz realmente necessário é conhecimento! E falo de conhecimento que demanda real esforço para ser alcançado."
E conhecimento não é o que estamos tentando construir? Estamos nos esforçando para convidar os cursos ao debate, com contrários e favoráveis a nossas pautas. Assembleias de cursos, aulas públicas, reuniões constantes, leitura dos textos da PEC e da MP, estudos da história econômica do país para nos situarmos e entendermos essas medidas em todas suas dimensões, enfim, abordagens distintas para a análise mais completa que nos é possível, fugindo de simplificações e discursos enlatados.
"Os manifestantes demonstram serem ignorantes ou mal intencionados. Isso porque as melhores ideias jamais precisaram de movimentos populares para se estabelecerem. O domínio do fogo, a concepção da agricultura, a mecânica newtoniana, o cálculo diferencial e integral, a mecânica quântica, a teoria dos jogos e a teoria da evolução das espécies são ideias que naturalmente se inseriram nas sociedades desenvolvidas, por serem esteticamente belas e profundamente práticas. Houve aqueles que se sentiram ameaçados pelas ideias de Darwin e pela teoria heliocêntrica, entre outros exemplos históricos. Mas eles foram naturalmente calados pelo tempo."
Aqui o argumento mais infeliz. Uma resposta completa e exemplificada nos demandaria mais espaço. Resumiremos alguns pontos.
Esquece-se do sangue derramado na luta pela consolidação do que o senhor afirma "ideias que naturalmente se inseriram nas sociedades desenvolvidas". As grandes transformações sociais, as revoluções, banhadas ao sangue popular, que permitiram o surgimento de novas eras, rompendo o obscurantismo de eras anteriores, e.g., do feudalismo ao capitalismo, simbolizada também pela sangrenta revolução burguesa de 1789, na França.
O que seria da sua liberdade de cátedra sem o passado de luta de movimentos populares? O quão diferente seria o panorama da - ainda desigual - ciência brasileira, se não fosse pela luta de movimentos de emancipação da mulher, da liberdade do negro, pela democracia? Quantos colegas seus foram perseguidos, perderam o cargo, foram presos, torturados na luta pela liberdade de pensamento? Quantos novos Marie Curie, Ada Lovelace, Milton Santos, Neil deGrasse, Albert Einstein, Alan Turing poderiam ter surgido, mas ficaram pelo caminho, fuzilados, impedidos, esquecidos, proibidos por aqueles que alegavam, em nome da ciência de sua época, a legitimidade da opressão à mulher, do racismo, da perseguição a minorias étnicas e sexuais?
A nossa luta é política, e isso não exclui a racionalidade. O senhor tenta passar a imagem de "jovens despreparados emocionalmente", "irracionais", mas em momento algum vemos alguma fundamentação para essas ilações, a não ser alguns sofismas muito comuns da crítica rasa que abundam pela internet, fruto da "era da informação", citada também no seu texto. Não vemos análise alguma das pautas do movimento, a PEC 55 e a MP 746, o mais importante no momento.
"Parte de meu trabalho é lecionar para muitos alunos que não estudam, que não refletem, que não discutem."

Aqui estamos estudando, refletindo e discutindo.

"Em contextos sociais, se uma ideia precisa ser imposta, isso significa que provavelmente não é uma boa ideia, mas apenas um delírio compartilhado por um punhado de hasteadores de bandeiras."
A nossa pauta é exatamente a luta contra essas ideias impostas sem que suas necessidades sejam demonstradas: a PEC e a MP. O que fazer quando uma medida de amplo alcance e transformação como estas nos são impostas? Consentir ou reagir? Sobre a ocupações, o que estamos impondo é exatamente o que o senhor diz que mais falta aos alunos: o questionamento e a reflexão.
Finalmente, supor que aqui falte "capacidade de discernimento" é subestimar aqueles que são e foram alunos seus. Como aqui defendemos as melhorias na pesquisa, qualidade da educação, sem cultivarmos inimigos internos, seja docente ou discente, decidimos convidá-lo para um diálogo em que as divergências sejam debatidas, com reflexões e questionamentos de ambas as partes, em que ideias não sejam impostas, mas construídas. Propomos uma data ainda essa semana, como sua agenda lhe permitir.
Aguardamos uma resposta com data e local de sua preferência.

Atenciosamente,
Ocupa Exatas UFPR.








 [IES1]Parágrafo ininteligível, no contexto. 

domingo, 6 de novembro de 2016

A reforma por trás da reforma do ensino médio



No ano passado, a tentativa de reorganização, que eu chamaria de desorganização, das escolas públicas foi uma tentativa de privatização. Seriam fechadas 94 escolas e outras unidades teriam turnos inteiros; alunos, funcionários e professores seriam transferidos para outras unidades, o que seria ruim para muitos, que teriam que ser transferidos para bairros distantes.
Como resposta a essa medida, que foi feita de forma autoritária, sem consulta prévia dos envolvidos (comunidade, gestores, professores e alunos), os alunos ocuparam mais de 200 escolas e boicotaram o Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (IDESP) e, em contrapartida, enfrentaram direções autoritárias, a polícia e o Estado, mostrando, assim, o péssimo preparo de nossos governantes. Foram muitos contratempos como: a falta de maior mobilização dos professores em seu favor e uma participação maior da comunidade, além de terem sido alvo de repressões, ameaças e perseguições, sobretudo nas periferias, aonde a grande mídia não chega.

Tudo isso esconde, na verdade, uma intenção bem mais prejudicial, que é a privatização. Essa “reorganização” facilitará muito, pois se baseia no modelo americano, conhecido como Charter, em que as escolas são financiadas com recursos públicos, mas gerenciadas por empresas, que transferem a administração para as chamadas OS ( Organizações Sociais). Assim, as escolas passariam a ser administradas com a lógica do mercado, ou seja, com custo mínimo, metas de  produtividade e ganho, piorando a qualidade dos serviços e as condições de trabalho e salários, sem falar nos direitos sociais.
Isso só é um para os empresários, que aumentariam os seus lucros, explorando um nicho de mercado que passaria a ser controlado por eles, mas limitaria o processo educacional, restringindo a criatividade, a autonomia e o desenvolvimento intelectual e humano. O ensino vai se tornar uma busca maluca por resultados em concursos vestibulares e no ENEM. Além disso, a escola privatizada vai favorecer os grandes empresários, que poderão gerir, influenciar e controlar as políticas públicas de ensino de acordo com seus interesses, que é a formação de mão de obra subordinada às novas exigências do capitalismo. Resumindo tudo isso: Enquanto o filho daqueles que estudam em escolas privadas seriam preparados para o vestibular e a faculdade, o filho dos que estudam em escolas públicas seriam preparados para estar no mercado de trabalho. A desigualdade social só aumentaria não é?


domingo, 16 de outubro de 2016

A desinformação (desonestidade) da Folha de São Paulo




A busca desesperada para que as coisas se encaixem em loucuras criadas por eles, faz com que esse tipo de coisa seja divulgada e, pior de tudo, é que encontramos gente ignorante o suficiente para dar ouvidos. Aonde vamos parar?



"Resposta ao absurdo racismo científico publicado pela Folha de São Paulo

Em tempos de crise orgânica, faz-se necessário tanto discutir ideologia quanto sua veiculação na grande mídia e a farsa da neutralidade promovida há anos. Sendo assim, este texto tem como intenção desmistificar o artigo “Cabelo louro, altura e olhos azuis são favorecidos pela evolução, diz estudo” publicado na Folha de São Paulo no dia 14 de Outubro." ...

..."A reportagem tendenciosa da Folha se baseia em uma pesquisa publicada no último dia 13 de Outubro em uma das mais renomadas revistas científicas do mundo. Entretanto, já há alguns anos a tal revista transformou-se em uma vitrine de pesquisas, ou seja, apresenta os trabalhos de forma simplificada para mais rápida divulgação dos resultados. Isso ocorre devido à competição imposta pelo sistema capitalista na ciência, pois aquela que realmente é válida é a que está publicada, sendo que essas que obtém resultados mais rápidos são as que têm maior verba devido à rápida publicação (subentende-se ao financiamento de empresas que querem obter tal resultado)."...


Para ler esse artigo todo acesse aqui

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Manifesto da Sociedade Brasileira de Matemática sobre a Reforma do Ensino Médio



A implementação de um novo modelo de Ensino Médio, prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), é urgente, e a discussão sobre o tema, ainda que possa ser considerada insuficiente, não é nova. De fato, é inegável que o modelo vigente não atende as necessidades do país nem as aspirações dos jovens brasileiros. Se dúvidas restassem, aí estão os resultados recentes do IDEB e do ENEM para comprovar a necessidade urgente de medidas profundas. As causas dessa situação são muitas: carências de infraestrutura, deficiências na formação do professor, inadequação dos currículos, baixa atratividade da carreira docente etc.
Certamente, o caminho ideal para a implementação dessa reforma não seria por medida provisória. Tampouco a maioria dos problemas existentes será resolvida pela reforma proposta na Medida Provisória 746, de 22 de setembro de 2016. No entanto, é inegável que entre as principais causas da falência do Ensino Médio encontra-se na rigidez do modelo atual, que contrasta com a flexibilidade dos sistemas educacionais correspondentes a níveis equivalentes de escolaridade nos países mais bem-sucedidos. A proposta de reforma sustentada pela MP 746/2016 aponta para um avanço substancial nesse sentido.
Uma formação de Ensino Médio unificada é uma originalidade brasileira que resulta em ineficiência (estudo do INEP de 2011 aponta que, ao final do Ensino Médio, 90% dos alunos não aprenderam o mínimo esperado de matemática), desestímulo às vocações dos nossos jovens (segundo o IBGE, em 2013, um em cada cinco jovens brasileiros entre 15 anos e 29 anos não estudava nem trabalhava) e desperdício de recursos: a formação oferecida aos jovens brasileiros não é adequada para prepará-los para seguir seus estudos ou ingressar no mercado de trabalho.


domingo, 9 de outubro de 2016

Escola sem partido ou sem liberdade?



No dia 29 de outubro a APEP (Associação dos Professores das Escolas Públicas) vai fazer um debate sobre o assunto. Será na USP - Prédio da Física, situado na Rua do Matão, 1371 - Ala Central, das 14 às 18h. Estão convidados!
"A ofensiva da direita no Brasil contemporâneo tem se manifestado em diferentes planos; na economia, por meio da defesa de políticas neoliberais e questionamento das – ainda que moderadas – tentativas de avanços sociais que beneficiem os trabalhadores e setores populares; na política, por ações, fora e dentro do parlamento, que visam a regressão de liberdades políticas e direitos sociais previstos pela Carta de 1988; no plano das ideias, pela realização de reformas educacionais que impeçam a formação crítica dos educandos (em todos os níveis da educação formal).
Este dossiê – artigos, entrevistas, depoimentos, manifestos, notas e vídeos – examina de forma ampla e crítica o Projeto Escola Sem Partido, uma ostensiva iniciativa da direita brasileira que visa garantir a hegemonia do ideário conservador construído e amplamente difundido pelos aparelhos ideológicos do capitalismo brasileiro.
Somos gratos a Lalo Watanabe Minto, Fabiana Cássia Rodrigues e Anibal Gonzalez, pesquisadores da Unicamp, pela iniciativa de organizar este dossiê. Dispensável dizer que, nestes tempos de obscurantismo político e cultural, o dossiê visa também apoiar todos os que, hoje, se empenham na defesa da escola pública, democrática e fundamentalmente crítica."
Editores / outubro de 2016
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Deixo abaixo dois vídeos, um feito por Pirula, que explica o projeto e outro com a opinião de Leandro Karnal e um debate com o pró e o contra feita pela TV Cultura