FÍSICA SEM EDUCAÇÃO

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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Nova escola, novo sindicato e nova realidade!


Sou professora licenciada em física, mas esse ano ministro aulas de matemática numa escola que adoro e de que tenho muito orgulho. A escola é situada na periferia da cidade de Atibaia e foi fundada há pouquíssimo tempo, fará 3 anos no segundo semestre. Apesar de recente,  tivemos mudanças significativas;  graças às gestoras, estamos conseguindo avanços que nunca tinha visto em qualquer outra escola. Nesses quase 10 anos em Atibaia já passei por muitas escolas, inclusive em cidades próximas. Estamos conseguindo, através da administração dessa escola, mudar a realidade de muitos alunos. Obviamente que não chegamos ao ideal, nem acredito que atingiremos a meta de 100%, mas não importa, estamos caminhando e conseguindo vitórias importantes.

Digo tudo isso porque, quando focamos num espectro muito amplo de uma realidade, é quase impossível mudá-la, pois diante de problemas muito amplos nossa capacidade de compreendê-los e resolvê-los fica bastante reduzida e, o que é pior, acabamos por nos  esquecer de tomar pequenas atitudes que fariam a diferença. 

Baseando-me nessa história que, tudo indica, terá um final feliz, resolvi expandir minhas ações e, através do exemplo da minha escola, percebi que podemos, através de pequenas ações em pequenos lugares reverter o macro, não a curto prazo, obviamente, mas é possível! 


Há uns dois meses recebi uma proposta para fazer parte de uma chapa da APEOESP. Titubeei, mas acabei aceitando, mesmo não tendo ideia de onde estava entrando, pois, apesar de sindicalizada, nunca fui atuante e, assim como muitos professores, tinha uma opinião pré-concebida a respeito de sindicatos. Mas, já que era para ser oposição do que está aí não pensei duas vezes.
Fui conhecer o grupo para o qual fui convidada para fazer parte e traçamos o objetivo: honestidade, transparência e atuação perante a nossa classe já tão fragilizada. Decidimos que faríamos um sindicato que realmente funcionasse e representasse o professorado da região. Percebemos que não adianta tentar mudar o todo, o sistema; para que isso um dia mude precisamos começar a mudar o pequeno espaço em que vivemos através de ações efetivas; que é possível fazer diferente e que, se cada um agisse assim, poderíamos, num futuro não muito longínquo, ter uma sociedade melhor. Assim, a nossa chapa vai tentar fazer o melhor dentro de nossa região e independente das políticas que nos rodeiam, mostraremos, caso vençamos, que mesmo dentro desse sistema falho (para não usar uma palavra mais agressiva) podemos fazer diferente. A nossa chapa acredita que o bem prevalece sim e lutaremos por isso!


Deixo por fim um trecho de um artigo de Marilena Chauí que explica bem por que temos sindicatos e por que temos que lutar para mudarmos isso e o motivo pelo qual aceitei o convite para ser candidata pela Chapa 3, Nova Apeoesp:

... "a marca da democracia moderna, permitindo sua passagem de democracia liberal a democracia social, encontra-se no fato de que somente as classes populares e
os excluídos concebem a exigência de reivindicar direitos e criar novos direitos. Isso significa, portanto, que a cidadania se constitui pela e na criação de espaços sociais de lutas ( os movimento sociais, os movimentos populares, os movimentos sindicais) e pela instituição de formas políticas de expressão permanente ( partidos políticos, Estado de Direito, políticas econômicas e sociais) que criem, reconheçam e garantam direitos." 





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