FÍSICA SEM EDUCAÇÃO
A única maneira de fazer o Brasil progredir é com educação, informação e caráter.

sábado, 1 de abril de 2017
A educação na época da ditadura era melhor? Claro que não!
... “O Brasil não tinha o números de professores necessários para sustentar a expansão da escolarização no ritmo e na dimensão que ocorreu. O resultado foi o rebaixamento cultural e a precarização das condições de trabalho dos professores que continua sendo a realidade de inúmeras redes de ensino até hoje”, avalia o professor.
Acesse o link para ler a matéria completa
Eu fiz um artigo interessante para o Universo Racionalista falando sobre o atraso científico na educação e na ciência ocasionados pela ditadura, esse só complementa. Para ler acesse aqui
Para ler mais: A ciência da ditadura
domingo, 19 de fevereiro de 2017
O lado sombrio da nova reforma do ensino médio
Quero deixar bem claro que o que vou colocar neste texto é minha
impressão em relação aos últimos acontecimentos na educação, pois, mesmo
pesquisando, não vi evidências, apenas indícios do que vou relatar aqui. Mas,
infelizmente, todas as “previsões” anteriores que fiz com relação a esse
governo na área da educação se concretizaram e é isso que me assombra.
A reforma do ensino médio aprovada no dia 09/02/2017, além
de prejudicar diretamente o país, vai abalar a já tão frágil categoria de
professores. A subordinação do governo à lógica do mercado irá trazer danos diretos
aos professores, uma categoria tão fragilizada por todos esses anos de descaso,
vai se tornar ainda pior, pois seguirá a lógica dele (mercado).
A
meu ver, a ideia principal é a privatização da escola, mas isso não quer dizer
que o aluno de escola pública terá que pagar escola. Essa privatização se
refere aos repasses do dinheiro público, nosso dinheiro, às empresas
particulares, que passarão a gerenciar as escolas (gerenciar mesmo, pois a
escola passará a ser como empresa). Isso já acontece em algumas escolas, que
são gerenciadas por uma empresa chamada Faconi, que não tem a educação como
única prioridade como podem verificar aqui .E qual é a minha previsão? Com essa reforma, que visa ao ensino técnico, as empresas passarão a contratar professores e os que já são contratados pelos estados, como é o meu caso, acredito que não sofrerão tanto, pelo menos ainda tenho essa esperança, o problema são os estáveis e efetivos, pois o governo criou a tal Lei Complementar 101/2000, denominada Lei de Responsabilidade Fiscal, como pode verificar aqui. E qual é a minha previsão? Com essa reforma, que visa ao ensino técnico, as empresas passarão a contratar professores e os que já são contratados pelos estados, como é o meu caso, acredito que não sofrerão tanto, pelo menos ainda tenho essa esperança, o problema são os estáveis e efetivos, pois o governo criou a tal Lei Complementar 101/2000, denominada Leide Responsabilidade Fiscal.
E o que isso quer dizer? Que um funcionário público poderá
ser demitido, caso os governos estaduais, municipais e federais, em função de
uma crise, como eles dizem possuir, não consigam arcar com as despesas. A questão
é que essa crise não é responsabilidade dos servidores públicos, mas da
incompetência e da corrupção. E quem vai pagar o pato? Somos nós, já que a
educação sofreu essas mudanças exatamente para conter despesas às custas do
professorado e sabemos que ela (a educação) nunca foi prioridade de nenhum
governo. Afinal, ao invés de precisarem de 13 professores, ou de um professor
habilitado em duas disciplinas, recebendo o valor hora/aula, vai pagar um
professor para cada área de conhecimento, o que inclui três ou mais disciplinas,
com exceção da matemática, ciências humanas, ciências da natureza, linguagens e
códigos, matemática e suas tecnologias e a área técnica, que poderá ser
lecionada por alguém habilitado com notório saber e afins.
Eu posso estar sendo alarmista, mas acredito que,
neste momento, todo o cuidado é pouco, principalmente em relação à educação e,
como disse lá em cima, espero estar enganada. Quanto à greve que está sendo
articulada pela APEOESP recomendo cuidado, pois podem a qualquer
momento, como vêm fazendo, aprovar uma lei para demitir professores em greve,
já que lançaram uma PEC que diz que a educação é um serviço essencial. Ninguém discorda
que a educação seja prioridade, mas a PEC mostra um lado mais sombrio, apesar do
direito à greve ser garantido na Constituição e regulado pela Lei 7.783/1989,
ela vai limitar e muito um direto a tanto custo adquirido e, ao despedir um
professor, podem alegar a tal lei de
responsabilidade fiscal.
Estamos vivendo momentos sombrios na educação, tanto para os
professores quanto para a população.
Para saber mais:
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
Os “novos” rumos da educação
Os “novos” rumos da educação
Primeiramente #ForaTemer.
Sei que nós, professores,
estamos num momento delicado e que as políticas feitas ultimamente voltadas à nossa
classe estão cada vez piores. Até
entendo que uma atitude radical acaba aflorando os ânimos tão desanimados, mas
temos alguns pormenores, em toda essa bagunça, que não podemos deixar de levar
em consideração.
A meu ver, a última greve
foi muito desgastante. E o pior de tudo é que não tivemos vitória em nenhum
aspecto. Estamos lidando com um governo autoritário que nunca se preocupou com
a educação e, ainda por cima, lidamos com uma mídia que faz o mesmo papel,
afastando a população do professorado, a cada greve ficamos mais desvalorizados
por ela.
Estamos divididos em categorias
e os mais antigos na profissão (sem generalizações) estão desmotivados devido a
anos e mais anos de desvalorização. E nem podemos condená-los.
Os que são
apenas estáveis (não efetivos) e os contratados não têm força de mobilização,
mesmo porque, no caso dos contratados, podem ter seus contratos extintos, por
mais que a lei diga o contrário, pois como disse anteriormente, lidamos com um
governo autoritário. Então, como fazer greve numa situação dessas, em que várias
leis estão sendo feitas e mudadas?
😐O grupo de oposição aos
professores percebeu a força que teríamos se fossemos uma classe mais unida e
perceberam que a sociedade toda passa pela nossa mão e que teríamos força para
mudar. Só quem não percebeu ainda foi o professor. Uma das evidências é a tal “escola
sem partido”, conceito criado por um grupo conservador que insiste em “mostrar”
a “doutrinação marxista” feita nas escolas. Não sei se é para rir ou para
chorar. Se o professor “doutrina” aluno,
não acham que teríamos uma sociedade bem diferente dessa? E políticos? Além de
tudo isso, como se não bastasse, a Reforma do ensino médio proposta pelo
governo, sem discussão com a categoria, já foi aprovada nas duas instâncias pela Câmara,
uma pelo Senado e, muito provavelmente, será aprovada agora, nesse mês, pois já
a colocaram como prioridade na pauta.
A reforma do ensino médio
vai contra tudo o que o “marxista” (segundo os defensores da tal “escola sem
partido”) Paulo Freire pregou, a volta da educação tecnicista. O pior é ver
professor defendendo isso. Professores movidos por causas individuais não
conseguem enxergar o ataque coletivo que esses grupos fazem à nossa classe.
1 😐 Escola
sem partido (Escola da mordaça);
2 😐Reforma
do ensino médio;
3 😐PEC
para contenção de despesas, mesmo indiretamente, na educação;
😐PEC
para transformar a educação em serviço essencial e com isso tirar o direito de
greve a tanto custo conquistado;
5 😐Diminuição
do número de salas, o que mostra a reorganização tentada o ano passada sendo
feita.
6 😐Lei
da responsabilidade fiscal, com o Estado, alegando contenção de despesas pode
demitir funcionários públicos estáveis.
Eu
posso estar enganada e gostaria muito de estar, mas isso esconde uma coisa
muito mais séria, a privatização da educação. Aí me pergunto: será que as
empresas que vão gerenciar essas escolas com o nosso dinheiro estarão preocupadas
em criar cidadãos críticos ou funcionários para exercer funções subalternas?
Ah!
Os tais defensores da escola sem partido também defendem a meritocracia.
Então,
o aluno que não tem condição de estudar numa escola particular, com a tal
reforma do ensino médio, vai conseguir concorrer de igual para igual por uma
vaga numa universidade pública que, a meu ver, deveria ser direito deles?
Enfim,
ou os professores se unem para transformar a sociedade ou daqui a uns tempos
teremos uma sociedade robotizada, onde o lema será: “Não pense em crise,
trabalhe!”
domingo, 8 de janeiro de 2017
Como alcançar a liberdade?
Vocês conseguem imaginar alguém se tornando cientista, poeta, músico de orquestra em meio à pobreza/miséria? Eu chuto que não. Ser essas coisas requer que a pessoa dedique bastante tempo ao treino (estudo teórico, prática com os instrumentos etc), e uma pessoa em situação de pobreza geralmente gasta a maior parte de seu tempo na atividade que lhe garante os meios de subsistência, e não tem tempo para o treino de que falamos, nem meios de conseguir o material de treino necessário e muitas vezes tampouco energia. A pobreza e o tempo de trabalho aparecem, então, como uma prisão, ou melhor: uma barreira que impede a realização dos potenciais das pessoas.
Daí Marx ter afirmado -- e esse é, na minha opinião, um dos trechos mais belos de sua obra -- que o reino de liberdade começa com a redução do tempo necessário à aquisição dos meios de subsistência, da jornada de trabalho; tal coisa é condição daquele. Em outro lugar, Marx diz ainda que a riqueza consiste, em parte, em tempo livre.
Olhando para disposição de recursos naturais, técnicos e humanos, creio que seria possível uma redução generalizada e relevante da jornada de trabalho, inclusive com um aumento sensível do padrão de vida para todas as pessoas, e, com isso, um aumento tanto absoluto quanto relativo de cientistas, poetas, escritores etc. Para isso, seria necessário planejar a produção de modo a garantir que as necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde, lazer, educação etc de todos fossem atendidas, e dividir de maneira igualitária o tempo de trabalho -- fazendo recurso à automação da produção sempre que isso não envolver prejuízos (digamos, ambientais).
Uma transformação social assim tem, no entanto, certos "impedimentos". O primeiro, e provavelmente o mais óbvio, é a propriedade privada dos meios de produção. A transformação social de que falamos pode até significar a melhora dos padrões de vida da maioria, mas os interesses da minoria privilegiada, detentora dos meios de produção, seriam prejudicados; como ela poderá viver da extração de excedente sobre os outros? A revolta dela é, portanto, esperada. E ela se revolta contra coisa bem menor, como a redistribuição de renda que aconteceu no Brasil durante a era petista.
O outro impedimento são as relações mercantis de produção; em outras palavras, a ausência de uma coordenação social, consciente, da produção, a qual é realizada de maneira formalmente independente por produtores "autônomos". É dessa forma de produção que surge o dinheiro (de maneira que tentar abolir esse último sem abolir essa forma de produção é coisa de gente utópica e/ou que não compreende a coisa), e tal forma de produção significa também que os sujeitos são socializados como concorrentes universais: consumidores concorrem com outros consumidores pelo produto, ofertantes concorrem com outros ofertantes pela demanda.
Superar essas coisas -- as relações de distribuição da propriedade e de produção -- não deve ser uma tarefa fácil. Mas podemos empreendê-la, se quisermos uma sociedade mais justa. Devemos fazê-la, se considerarmos nosso próprio dever moral para com as outras pessoas, em especial as mais humildes. Temos de realizá-la, se levarmos em conta que a manutenção da sociedade tal qual ela se encontra -- aqui no Brasil em especial -- significa que muito provavelmente nós mesmos estaremos condenados à pobreza e/ou à estafa e o estresse no trabalho, ou a ver o meio ambiente se destroçar de vez com um aumento excepcional da produção capitalista ocasionado por políticas econômicas que visem o "pleno emprego".
sábado, 31 de dezembro de 2016
Ano novo?
Estamos no último dia do ano, um ano conturbado, cheios de
altos e baixos, mais baixos do que altos para a população brasileira. Fiquei
pensando o quanto somos carentes e suscetíveis às influências externas e em
como o povo é carente. Carente sim! De condições melhores, de liderança, de
governo.
Não temos nenhuma referência e as referências que temos são baseadas
em pessoas que gostaríamos de ser e não naqueles que somos e que lutam para uma
vida melhor. Nas novelas, que apesar de eu não assistir, mas vendo alguns
trechos, mostram algumas lutas, mas passam longe do que a realidade expressa,
porque a coisa é muito pior. Vivemos essa ilusão, filmes que sempre mostram a
vitória dos “mocinhos”, de heróis que lutam por nós e vencem.
E buscamos
heróis! Só que na vida real esses heróis não existem, aliás, seriam nós mesmo,
e os mocinhos muitas vezes se dão mal, muito mal, pois é um apenas, ou uns,
entre milhões e, por isso, o mais forte se sobrepõe ao mais fraco. Mas onde
está o grande problema? Por que não vencemos? É possível vencer? Essas
perguntas, a meu ver, são simples de responder, a grande questão está no
“como”. Apesar de eu estar me referindo a minha classe, os professores,
serviriam para todos os trabalhadores assalariados, não importando o tamanho de
seu salário, mas ninguém se coloca no lugar do outro nem ao menos viveu o que o
outro viveu.
O pensamento individual assola a humanidade, como aquela conversa
tosca de que se não vence foi porque não se esforçou, afinal é mais fácil
julgar. A nossa história, as nossas lutas estão sendo analisadas de forma
unilateral, de acordo com o pensamento individual e, ao invés de serem usadas
para o aprendizado, são vistas com julgamentos errôneos de uma era egoísta.
Nesse novo ano que virá não tenho esperanças de que a coisa melhore, pois só
melhorará quando pararmos de sermos tão egoístas e começarmos a lutar por um
bem comum: a sociedade. Afinal, fazemos parte dela. Que o ano seja de lutas,
mas que essa união seja para uma vitória, porque a grande questão de todos é a
luta pelo bem comum. Quero melhorar minhas condições financeiras, quero ter
saúde, educação e liberdade para ir e vir e essa liberdade está diretamente
ligada à segurança do país. País cuja desigualdade social aumenta a cada dia.
Se aumenta, por que não lutar por todos, já que a minha segurança está
diretamente ligada a melhores condições de todos? Por que todos não podem ter a
mesma condição em educação e saúde, já que tudo isso afeta a todos?
Não me
sinto bem assistindo à violência nas ruas, crianças trabalhando em condições
insalubres, gente morrendo em hospitais por falta de infraestrutura etc. Se eu
tenho, por que o outro não tem? Não importa a sua posição política, ou mesmo
que nem se interesse por isso, precisamos pensar no ser humano e num mundo
melhor para todos.
Feliz ano novo!
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