FÍSICA SEM EDUCAÇÃO

A única maneira de fazer o Brasil progredir é com educação, informação e caráter.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O capitalismo irá nos levar ao caos



Hoje, o mundo em que vivemos é caótico e indeterminado, mas o desejo de controlar tudo está nos levando ao pânico, pois gostaríamos de um mundo certo, determinado. Até a matemática, que era uma ciência exata, hoje vive só de probabilidades criando um mundo de alta ansiedade, destruindo nossa visão otimista do mundo.

                                                                 Isaac Newton
A matemática de Newton descreve regras claras  de causa e efeito, previsível e controlável. Ele e Laplace, um seguidor de Newton, eram mecanicistas,  tudo era determinado e o mundo era visto como uma máquina,  tudo tinha uma causa e era previsível e a matemática explicaria tudo, inclusive as catástrofes.

O cálculo matemático das órbitas do Sistema Solar de Newton prevê que dois corpos em órbitas idênticas fazem uma trajetória previsível e, com esses cálculos, se poderia prever tudo no Universo, inclusive na Terra.
                                                                        Henri Poincaré 


Henri Poincaré descobriu que não havia como prever órbitas, não importando o quão iguais elas fossem no início, pois qualquer coisa que acontecesse em alguma dessas órbitas poderia fazer com que seguissem um caminho completamente diferente e totalmente inesperado e a sua previsão seria impossível. Essa foi a ideia inicial do caos matemático. E também, lamentavelmente, percebeu que isso se aplicava a quase tudo relacionado a natureza. Os críticos da época, atenuaram essa teoria, afinal o povo não estaria preparado para essa nova visão de mundo.
Em 1914, uma simples alteração tirou todo o movimento do seu centro e gerou uma tempestade incontrolável. Foi na primeira grande guerra. Ainda acreditavam que tudo podia ser previsto, afinal, os mesmos matemáticos que insistiam em prever as órbitas dos planetas eram os mesmos que definiam as trajetórias das artilharias e a matemática das balísticas.

Apesar de toda carnificina da guerra, eles acreditavam que não só existia uma ciência da balística, mas uma ciência da guerra e que os resultados podiam ser controlados. Com isso a vitória seria certa, vencendo o caos. No final, o caos venceu e os 10 milhões de mortos não previstos confirmou a visão de Poincaré.
                                                                     Aleksander Lyapunov

Aleksander Lyapunov durante a primeira guerra, estudou a instabilidade de um fluido quando passava da estabilidade para a instabilidade e tentou formular esse caos, que é exatamente o que acontece nas variações climáticas e que hoje chamamos de “ponto de virada”.
A sua história é muito triste, pois quando estava preste a conseguir, a sua vida chega ao seu ponto de virada com a revolução Russa e a Guerra. Os que voltaram da guerra trouxeram uma epidemia de tuberculose que acometeu a sua esposa, fazendo-a falecer em seus braços e ele, desolado, coloca fim à vida com um tiro na cabeça.

Poincaré e Lyapunov mostram um novo entendimento do mundo: O caos fez perderem a fé e a esperança e precisavam resgatar tudo isso. E foi assim que Henri Ford lança sua linha de montagem e cria um ícone de esperança criando um mundo de estabilidade e prosperidade, alavancando a economia, gerando o equilíbrio da física clássica e sua economia baseada nela. Entre 1920 a 1929 tudo parecia maravilhoso, só que os matemáticos previam novamente o seu ponto de virada. Foi exatamente o que ocorreu, a economia e o clima geraram a Grande Depressão e a Tempestade de Areia era o ponto de virada.

Muitos economistas, acadêmicos e vencedores do Prêmio Nobel justificaram a crise de desemprego às pessoas, dizendo que elas preferiam o lazer a ter que trabalhar e assim, era uma causa mecânica e simples. Isso é incrível, mas foi verdade. Apesar de todo desemprego, das vidas arruinadas, economistas e cientistas ainda teimavam em ver o mundo como sempre, previsível e controlável.


A invenção do computador no final da guerra, trouxe uma esperança e com ela também a sensação de poder. Os cálculos de mira e explosões devolvem ao homem o controle do mundo, a velha mágica da balística se aliou  à nova era nuclear e controlando tudo isso, voltariam a ter o controle de tudo e a certeza de um mundo próspero e certo diante de todo o avanço tecnológico. Com os telescópios, víamos o céu e os blocos construtores da vida, mas o computador nos daria uma visão, ou quem sabe, o controle de outras dimensões. Os políticos previam a economia afetando a vida de milhões de pessoas e depois das crises de 30 e 40 a economia começa a crescer novamente.  Com baixos índices de desemprego, a esperança volta a reinar num mundo de prosperidade e progresso (de novo).

                                                                     Edward Lourentz

Em 1962, Edward Lourentz  criando um computador de mesa consegue perceber que pequenas variações ocasionavam um desastre. Ele consegue provar, através de seus cálculos matemáticos, o que Poincaré havia previsto, ou seja: ”Se uma borboleta bate ou não suas asas, o efeito vai ser muito pequeno no inicio e não vamos notar, mas depois de um tempo, digamos, uns seis meses, algumas flutuações no ar e na turbulência podem ter um efeito enorme.” A isso chamou de Efeito Borboleta.

Como ainda viviam num mundo Newtoniano e Laplaciano desprezavam as pequenas variações, por isso não calculavam o quão caótico o mundo poderia ser. E, mais uma vez, a matemática prova que os sistemas são suscetíveis às condições iniciais, mas as turbulências e o efeito borboleta estavam presentes em todos os lugares. O mundo retorna à realidade do caos no final dos anos 60 e 70 e de paris a Detroit viviam um redemoinho econômico  fazendo os especialistas perceber o quanto fracassaram em suas previsões. E perceberam que, como não controlavam o tempo, não podiam controlar a economia. Quanto mais conectados, interligados e pressionados os sistemas se tornassem, mais caóticos seriam.
                                                                         Prof. David Rules

E em 27 de outubro de 1986, começamos uma economia global, os computadores conectavam todos ao mesmo tempo, o mundo e o moderno mercado e as previsões matemáticas foram, mais uma vez, ignoradas e tudo ficava por conta do mercado que lhes davam grandes resultados e um aumento da expectativa de vida. Os economistas e os ambientalistas divergiam, pois os economistas acreditavam que tudo era natural e que não podíamos controlar, a economia começa a crescer e a sua imprevisibilidade também.
“Quanto mais mexermos com um sistema não linear é mais provável que ele se torne caótico” Prof. David Ruelle.
                                                                      Prof. Peter Cox .


“No momento em que temos uma economia estável nos esquecemos do meio ambiente e com isso há a mudança ambiental e climática provocada pelo homem, mas que não reage diretamente nele, isso bate de frente com o funcionamento do mundo e eventualmente, seu crescimento econômico pode ser detido pelos impactos causados pelo ambiente, pois o ambiente é a sua fonte de riqueza.” Prof. Peter Cox .

Ignorando os avisos da nova matemática, carregamos o sistema com tudo, os economistas do livre mercado acreditam que é só deixar com os mercados, que eles magicamente encontrarão o equilíbrio natural. Eles ainda acreditam que podem prever leis, querem um crescimento e esse crescimento está sendo exponencial e isso não durará para sempre, pois se quebrará em algum ponto, isto está previsto com segurança. Esse crescimento é necessário? Sim, mas não durará para sempre. O problema será quando chegarmos ao ponto crítico. Para entenderam melhor tudo isso, recomendo esse vídeo.

sábado, 20 de julho de 2013

Quem precisa de foco é o governo


Durante muito tempo, os professores foram massacrados pelo governo e pela imprensa, que diziam que o maior problema da educação pública é, exclusivamente, por incapacidade nossa (professores). Demorou e muito para que a verdade aparecesse, enquanto puderam mentir e enganar a opinião pública sobre o crescimento dos índices baseando em SARESP, IDESP  etc... fizeram. Agora acabou não tem mais jeito! Não conseguem mais nem maquiar a “má educação” e nem colocar a culpa nos professores por ela. Quando os índices internacionais colocaram o Brasil em penúltimo lugar, resolveram acordar, mas, não se enganem, acordaram porque está pegando mal. 


Décio Lemos, no Facebook, fez uma colocação muito real do que acontece hoje com o investimento na educação:” O investimento total do Brasil em educação é bom, comparado a países ricos. Porém, 60% vai para ensino superior. Assim, o pobre paga para o filho do rico estudar de graça  E isso acontece exatamente pelo que você falou: crianças não votam, universitários, sim.”


Agora essa culpa recai sobre os médicos, que se recusam a ir para os confins do Brasil, e querem continuar nos fazer acreditar que faltam médicos ou que os médicos não querem ir, pois são “filhinhos de papai”, só que se esquece de explicar que médico não é curandeiro, pois precisa de um mínimo de infraestrutura para trabalhar, mesmo que o salário seja bom, como também fazem acreditar, nada paga uma vida, ou seja, nada paga a gente ver uma pessoa morrendo em nossas mãos por falta de infraestrutura e não poder fazer nada.
Falta professor e muito, mas médicos não faltam, o que falta é estrutura, tanto na educação, como na saúde e nem vou citar as outras para não me estender muito. São críticas e mais críticas vindas de pessoas que têm planos de saúde ou estudaram em escolas particulares. Ou mesmo em uma época que nada tem a ver com a realidade que se tem hoje.


Hoje as pessoas e, principalmente nossos jovens, se cansaram de políticos demagogos, que vão fazer e acontecer e quando se veem no poder, as teorias vão abaixo. Nossos jovens cansaram de blá blá blá, querem ação. Infelizmente a maioria, aliás, a grande maioria, não tem noção nenhuma de política, afinal, não foram direcionados e orientados para aprender sobre, mas, sabem muito bem o que querem e por mais que muitos acreditam que não se tem foco, não é bem assim, pois, quem não tem foco são nossos governadores e congressistas.
Nossos jovens sabem exatamente o que querem e é muito simples: educação, saúde e segurança. Que tal começarem a investir direito na educação, pois o resto será a consequência e o mais importante, investir não é injetar mais dinheiro nos lugares errados, direcione o dinheiro para o lugar certo, ouça a população, os professores, os médicos, faça uma pesquisa nas periferias e saberão o que, realmente, a população deseja. Quem precisa de foco são vocês.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A verdadeira manifestação


Quando comecei o meu blog, a minha ideia era falar da física, que não conta com a ajuda da educação, pois os nossos políticos não investem nem na educação imaginem, na física. Como professora de física, sou uma classe em extinção no país e não me refiro somente à física, mas a todas as áreas da chamada ciências exatas, que hoje se chama, ciências da natureza, o que é muito certo, pois de exatas não possui nada, estão acabando.

Conforme fui tentando descobrir o motivo real pelo qual as ciências da natureza andam tão em decadência nos últimos anos (afinal, são as matérias que mais avançam, devido às tecnologias de pesquisa que se desenvolveram), então, cheguei a algumas conclusões, mas a mais importante e a que eu acredito ser a mais importante é que o brasileiro nunca se importou com a educação pública, embora, na realidade, seja a educação a responsável por que tudo, absolutamente, tudo funcione.
Os serviços básicos que, a meu ver, são obrigações do nosso Estado - segurança e saúde, por exemplo - são os que mais dependem da educação. E sabe por quê? Não? Então, vamos lá: médico precisa de quem para se tornar médico? Policial precisa de quem para se tornar policial? A educação é a base de tudo isso. Ou seja, não desisti de lutar pela educação, muito pelo contrário, pois o país só crescerá no dia em que a população, em vez de lutar só contra corruptos, lutar também por reforma política e, principalmente, pela educação. Se tudo é importante, devemos lembrar que todos os avanços da sociedade dependem da educação, inclusive a ética e a cidadania.
Devíamos, também, lutar pela permanência de nossos cientistas no País, já que eles preferem ir para fora do Brasil ao invés de ficar na sua pátria, por falta de investimento governamental na área. E essa luta é árdua, porque precisamos convencer a todos, principalmente pesquisadores e professores, que cabe a eles mudar essa situação, através das salas de aulas ou da publicação de trabalhos ou na orientação a seus alunos na pesquisa e também na publicação de trabalhos. Só assim, a coisa passa a funcionar.
De que adiantaram greves e mais greves? De que adiantou o professor esbravejar, reclamar, falar mal, se dentro da sala de aula o ensino foi ficando cada vez mais fraco? Já disse isso uma vez e repito, nós, professores de escolas públicas, temos autonomia dentro de sala de aula, que escola particular nenhuma possui (com raríssimas exceções) e por que permitimos que a educação seja usada como massa de manobras eleitorais, má educação, quero dizer? Por que não mudamos isso e passamos a estimular nossos alunos a aproveitarem os estudos para usufruírem das bolsas e cotas e os estimulamos a lutarem pelo seu país e pela sua educação?
Ah! Muitos vão dizer que falta apoio dos pais. Concordo. Mas até quando vamos esperar apoio de pais que viveram os momentos em que a educação estava e ainda está em decadência? Ou seja, isso é um círculo vicioso e temos que quebrá-lo, pois está nas nossas mãos o futuro de cidadãos e eleitores, o futuro do país. Não podemos mais jogar a culpa no outro, temos que assumir isso e lutar pela única coisa que fará o Brasil progredir: a educação.

sábado, 29 de junho de 2013

'PÁTRIA MADRASTA VIL' - Clarice Zeitel Vianna Silva,


Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel Vianna Silva, 26, estudante que termina Faculdade de Direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários. 

Tema:'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - RJ


'PÁTRIA MADRASTA VIL'


Onde já se viu tanto excesso de falta? 
Abundância de inexistência... 
Exagero de escassez... 
Contraditórios? 
Então aí está! 
O novo nome do nosso país! 
Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL. 
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.

O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.

Há quem diga que 'dos filhos deste solo és mãe gentil', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. 

Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil, está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira.'

Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.

E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. 
Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. 

A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. 

Uma segue a outra... 
Sem nenhuma contradição!

É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!

A mudança que nada muda é só mais uma contradição.

Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar.
E a educação libertadora entra aí. 

O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito.
Não aprendeu o que é ser cidadão.

Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. 
As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)... 
Mas estão elas preparadas para isso?

Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.

Afinal, de que serve um governo que não administra? 
De que serve uma mãe que não afaga? 
E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo.
Cada um por todos.

Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. 

Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? 
Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? 
Ser tratado como cidadão ou excluído? 
Como gente... Ou como bicho?

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Até os franceses sabem o por que da revolta, só faltam os brasileiros

Por que os brasileiros se revoltaram

POR JAQUELINE NIKIFOROS (20 JUNHO DE 2013)
Depois que o movimento Occupy nos Estados Unidos ou "indignados" na Espanha, é a vez da juventude brasileira se revoltar. O motivo: um aumento no preço dos transportes públicos das infra-estruturas estão falhando. Com o pano de fundo das enormes somas de dinheiro para a Copa do Mundo e a crise da representação "democrática" brasileira, em grande parte nas mãos de uma oligarquia. 

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Segunda - feira 17 de junho Uma data que vai entrar para a história de uma sociedade acostumada a grandes manifestações populares. As manifestações contra o aumento do custo das tarifas de transportes públicos têm atraído cerca de 500 000 pessoas nas principais cidades do Brasil. Esta é a maior manifestação dos últimos 20 anos, desde o impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992, por corrupção.
No Metrô de São Paulo, os manifestantes gritavam: "O povo acordou! "  :

Os protestos começaram no início de junho, em São Paulo, a maior cidade do país. Milhares de pessoas saíram às ruas para reivindicar o aumento de 20 por cento no preço dos bilhetes (ônibus, metro e trem). Em 13 de junho, eles mostram, pela quarta vez, quando a marcha pacífica foi brutalmente reprimida pela Polícia Militar (que depende do estado de São Paulo). A repressão, pois uma centena de feridos. Ela foi imediatamente condenada pela Anistia Internacional . 160 pessoas foram presas. Vários jornalistas que cobriam a mobilização foram atacados e presos. Alguns deles são até mesmo hospitalizado devido à gravidade de seus ferimentos. Sem precedentes desde o episódio da ditadura militar (1964-1985).

Fotógrafo Sérgio Silva, a agência Futura Press, e ver Giuliana Vallone, o jornal Folha de São Paulo, ficaram feridas nos olhos, disparado por balas de borracha.
A repressão em São Paulo desencadeou protestos em todo o país. Em 17 de junho de meio milhão de pessoas tomaram as ruas de Brasilia, Rio, São Paulo ... 19, milhares de pessoas tentam se aproximar do estádio de Fortaleza, onde o time de futebol do Brasil disputam uma partida contra o México. Como maiores tarifas de transporte para os brasileiros é colocado em perspectiva com as enormes somas gastas na preparação da Copa do Mundo. Quase a metade de um bilhão de euros foram gastos apenas para a reforma do estádio do Maracanã, no Rio!
Na vanguarda dos protestos, o Movimento "Passe Book" (MPL) - Pass (transporte) Livre -"luta do movimento social autônomo e independente horizontal para um transporte público verdadeiramente livre para toda a população e livre de operador privado " , comoele explica em seu site . O movimento foi criado em 2005 para unir as lutas e reivindicações que surgem em diferentes metrópoles do país desde o final dos anos 90.Composta principalmente de jovens entre 15 e 30 anos, MPL tem continuado a crescer, aumentando o coletivo e ganhar mais participação da juventude.
No país se prepara para sediar a Copa do Mundo de 2014, a oferta de transporte público continua precária. As quatro maiores cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Brasília) tem disponíveis, juntos, 170 km de rede.Em São Paulo, mais de 4 milhões de pessoas utilizam sistemas e metrô diariamente. A linhas de metrô que se estendem mais de 74 km - três vezes menos do que Paris - e inclui 64 estações para cobrir 1.522 km² que formam a cidade. Em comparação, Paris, que é catorze vezes menor (105 km²) tem mais de 300 estações e 220 quilômetros de redes. No Rio de Janeiro, a situação é ainda pior, com apenas 35 estações ...
O ônibus ainda é o principal meio de transporte público usado pela população.Mas a frota está envelhecendo, não pode atender a demanda de forma satisfatória  . O serviço é comercializado por empresas privadas através de um sistema de concessão pública. Em São Paulo, o recente aumento dos preços forçou a população mais carente, obrigada a jornadas longas e árduas de trabalho, a sacrificar uma parte do seu orçamento de alimentos.Enquanto isso, as empresas de ônibus, um recorde de 45 milhões de renda mensal de aproximadamente (131 milhões de reais). 70% desse valor é pago pelos passageiros.
Brasileiros lutam para anular o aumento de vinte centavos - o que, na França, parece ridículo - revela um negócio muito maior. E mostra o esgotamento da democracia representativa no Brasil como um todo. Para a maior parte dos manifestantes, não é uma revolta contra "qualquer coisa" ou um governo em particular, mas contra um aumento da taxa suportada por todos os poderes em um sistema de representação e tomada de decisão crise.
A mudança fundamental que a grandes maioria dos brasileiros procuram maior. Estes meios, historicamente próximo ao poder e concentrada nas mãos de grandes fortunas tentou, como a poderosa emissora Globo, neutralizar o potencial da revolta que conquistou o país, concentrando-se primeiro atos de "vandalismo" ou caracterizou os manifestantes como "bandidos", ao invés de informar sobre o conteúdo das reivindicações. Quando a mídia percebeu que o movimento era grande demais para compensar o tamanho, eles começaram a reproduzir o conteúdo. Os mesmos meios de comunicação e colunistas que condenaram as primeiras manifestações, descrevendo-os como "vândalos", agora mudam suas próprias narrativas de um movimento, de repente tornou-se "tranquilo", mas reduzindo-a a uma mobilização para um "Brasil melhor". Resumindo: a despolitização. Nas ruas e nas redes sociais, o movimento está contra-atacando, opondo-se esta tentativa de despolitizar eventos.
Isso não impediu que o movimento continue. Em 18 de junho, em São Paulo, um dos manifestantes se reuniram em frente à Câmara Municipal gritando "não violência", enquanto outro respondeu "não burguesia." No dia seguinte, no final do dia, o governo cedeu aos protestos e anunciou a suspensão do aumento.Juventude MPL e organizações de esquerda não só ganhou uma importante batalha, mas reforçou outro mobilizações em andamento e recuperou a confiança na força e poder de mobilização popular.


Leia a notícia no Jornal Francês  BASTA!