FÍSICA SEM EDUCAÇÃO

A única maneira de fazer o Brasil progredir é com educação, informação e caráter.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Professor, sindicato foi feito para tumultuar. E essa deveria ser a sua luta também!






Quando os sindicatos vão à luta e conseguem garantir o mínimo para o trabalhador, muitos esquecem que, se não fossem eles, ainda viveriam em situação de trabalho escravo. Muitos professores se esquecem dessa premissa e insistem em colocar todas as pessoas que servem aos sindicatos em um mesmo balaio de gatos. Concordo que muita coisa ainda há para ser feita, principalmente com relação aos sindicatos. Mas uma coisa é fato: se ninguém fizer nada, nada vai mudar. Vamos convir que a situação não está boa e que os professores e demais trabalhadores não estão satisfeitos. A obrigação daqueles que fazem parte da elite intelectual do país é conhecer história. Uma série de quatro vídeos que vale a pena assistir e repensar sobre alguns posicionamentos:

 “No começo era o caos. O trabalhador não tinha a quem recorrer. Como as ferramentas e as máquinas, eles também eram propriedade dos patrões. Isso não poderia durar para sempre. Alguém tinha de fazer alguma coisa. Até que surgiram as pequenas organizações que deram origem aos sindicatos. E é essa história que o Memória e Contexto vai contar. Memória e Contexto exibido em 30/01/2012 Tema: História dos Sindicatos.”







quarta-feira, 18 de julho de 2018

Pela revogação da lei da Reforma do Ensino Médio e retirada da proposta da BNCC

Muitos professores ainda não entenderam a gravidade da Reforma do Ensino Médio ou se recusam a entender. A união nesse momento é imprescindível para que essa lei não entre em vigor, já que não conseguimos barrá-la.
                                                       Ilustração: Toni D'agostinho

"NOTA PÚBLICA PELA REVOGAÇÃO DA LEI DA REFORMA DO ENSINO MÉDIO – Nº. 13415/2017 E RETIRADA DA PROPOSTA DE BNCC APRESENTADA EM ABRIL DE 2018.

O Comitê do Ensino Médio da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), a Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais (ABECS), a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) vêm a público requerer junto ao Ministério da Educação (MEC) e à Presidência da República a revogação da Lei nº. 13415/2017, que reforma o Ensino Médio, bem como a retirada da proposta de Base Nacional Curricular Comum (BNCC) apresentada em abril de 2018 e que está sendo debatida em audiências públicas.
Estamos nos unindo as mais variadas vozes de entidades científicas e de estudiosos(as) da educação que a despeito das diferentes posições políticas e de concepções sobre o sistema nacional de educação, têm concordado e reiterado que essa proposta de Ensino Médio aprofunda as desigualdades sociais e educacionais no Brasil.  Desde a publicação da Medida Provisória MP 746/2016 que a SBPC, a SBS, a ABA, a ABECS, a ANPOCS, ANPOF, a ANPED, entre outras entidades científicas, pronunciaram-se contrárias à proposta de um Ensino Médio amorfo, sem os componentes curriculares que sustentam as formações nas diferentes profissões e áreas de atuação, incluindo-se a de formação de professores(as).
As críticas também ressaltavam a falta de tempo para um debate amplo com toda a sociedade e com os sujeitos diretamente envolvidos com as escolas, como por exemplo, os(as) estudantes e professores(as). Os(As) estudantes e professores(as) do Ensino Médio manifestaram-se, enfaticamente, contrários a essa reforma, mobilizando milhares de jovens que ocuparam as escolas em vários Estados da federação, em 2016. Ao contrário da propaganda oficial, é forte a reação contrária ao cenário proposto para o Ensino Médio, tanto por parte de pesquisadores(as) universitários(as), como das comunidades escolares que estão na base do sistema educacional.
Essa reforma representa a negação dos direitos de aprendizagem dos(as) estudantes brasileiros(as), especialmente dos(as) oriundos(as) das classes populares, que há muito pouco tempo conseguiram chegar ao Ensino Médio, ainda não universalizado no Brasil, haja visto que atinge cerca de 68% de matrículas na idade escolar de 15 a 17 anos. Se somarmos os(as) jovens adultos(as) que tentam voltar a esse nível de ensino, teremos um contingente enorme que precisa ser incluído nas escolas. Com tanto esforço para chegar ao Ensino Médio, esses sujeitos têm direito a uma educação de qualidade, com conteúdos científicos, componentes curriculares diferentes e que os prepare para a inserção no mundo do trabalho, nas Instituições de Educação Superior e, sobretudo, à participação na vida cultural, social e política, exercendo plenamente a cidadania, conforme prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/1996).
A referida Lei e a proposta de BNCC de 2018 não garantem a obrigatoriedade de oferta dos cinco itinerários formativos em todas as escolas e estados e nem os treze componentes curriculares vigentes até então. Retiram das escolas todos os conteúdos, garantindo apenas as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, empobrecendo o currículo escolar. Estabelece, assim, a oferta de uma “escola pobre para os pobres”, retrocedendo em, pelo menos, duas décadas no debate educacional do país. 
Em especial, as entidades científicas signatárias dessa nota expressam sua revolta com a exclusão das disciplinas da área de Ciências Humanas, entre as quais, a Sociologia, privando nossos(as) estudantes dos conteúdos de Ciências Sociais indispensáveis à compreensão crítica da realidade e à tomada de posição política. Não é possível o atendimento dos propagados objetivos da atual reforma do Ensino Médio sem a oferta de disciplinas da área de Ciências Humanas no currículo escolar.   
Considerando, então, a forma antidemocrática com que essa Lei e a essa proposta de BNCC foram elaboradas e impostas ao país, e a consequente destruição do Ensino Médio em seu caráter universalizante, como última etapa da Educação Básica no Brasil, exigimos a revogação da Lei nº. 13415/2017 e a retirada da proposta de BNCC apresentada em abril de 2018.
As entidades signatárias dessa nota assumem uma posição em defesa da qualidade da educação brasileira e conclamam o Governo Federal a dialogar com especialistas da área. O futuro de nossa  juventude e do Brasil está em jogo. 


Brasília, 17 de julho de 2018
Comitê do Ensino Médio da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS),
Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais (ABECS)
Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Associação Brasileira de Antropologia (ABA).
Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS)." 

terça-feira, 17 de julho de 2018

Terra plana?





É muito engraçado vê argumentos de Terra planistas, realmente a única vantagem em debater esse tipo de argumento é o de adquirir mais conhecimento. Aos alunos que pretendem prestar vestibular, ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) ou mesmo por curiosidade recomendo o site do Professor Fernando Lang da Silveira, onde ele responde a dúvidas de alunos. O assunto da vez é sobre a Terra plana e o avião:

A cinemática e a dinâmica da aeronave em voo paralelo ao solo

Boa tarde,
Tenho acompanhado a discussão a respeito da teoria da Terra plana, que, obviamente, não aceito. Porém, há um ponto insistentemente mencionado por eles, que é o fato de os aviões não realizarem uma correção durante o voo, mantendo-se em trajetórias retilíneas. Em sua argumentação, deveriam inclinar o bico para baixo a fim de corrigir a curvatura “caso a Terra fosse realmente esférica”.
Dessa forma, gostaria de uma explicação que rebatesse essa argumentação, já que meus conhecimentos em Física e Matemática não são suficientes para tanto. Veja que em momento algum ponho em dúvida a certeza da esfericidade, apenas desejo ampliar meus conhecimentos e meu arsenal contra esse mito. Aliás, diga-se de passagem, discutir com terraplanistas é o mesmo que discutir com criacionistas. Em minha opinião, tanto a esfericidade da Terra como a Evolução não contradizem a Bíblia. Esta última, inclusive, chamo, em minha concepção pessoal, de “criação contínua“.
Atenciosamente, RRR

 CREF- Respondido por: Prof. Fernando Lang da Silveira - www.if.ufrgs.br/~lang/

sábado, 14 de julho de 2018

EM DEFESA DA LICENCIATURA pelo professor Francisco Caruso




A solução do problema educacional brasileiro passa, necessariamente, por duas etapas, que se resumem essencialmente na busca da revalorização do Saber. Independente de qualquer política ministerial, este é o compromisso maior que deveria brotar espontaneamente de toda a comunidade acadêmico–científica. As duas etapas a que nos referimos pouco dependem de verbas e s˜ao: a conscientização da responsabilidade e do papel de liderança que cabe a esta comunidade na busca desta solução; a sua capacidade de promover, nas Universidades, uma ampla e profunda reestruturação dos currículos de Licenciatura. A Universidade precisa sair de sua redoma de vidro — sem que isto implique o assistencialismo — e assumir a posição de liderança que lhe cabe na busca da solução do maior problema do país: a Educação Básica. A concretização dessas etapas necessita, por sua vez, crucialmente da autonomia das Universidades e dos Institutos de Pesquisa. Não a autonomia do faz de conta ou a autonomia orçamentária, mas a autonomia construída em nome da revaloriza¸c˜ao do Saber, que, verdadeiramente, assegure e estimule a prática da plena democracia do Saber no meio acadêmico–científico, ou seja: a autonomia que contemple e valorize todas as áreas e atividades intelectuais, sem qualquer discrimina¸c˜ao ou objetivo imediatista ditado por interesses corporativos e/ou por políticas governamentais. Se esta for a essência da proposta de regulamentação do artigo 207 da Constituição, que consagra o princípio da autonomia universitária — anunciada pelo governo para 1995 [1] — estar´a sendo cumprido, em nossa opinião, um dos mais importantes requisitos no sentido de estimular e viabilizar uma reformulação geral de todas as Licenciaturas. Neste ensaio, vamos nos limitar a discutir porque uma mudança profunda da filosofia dos cursos de Licenciatura deve, neste momento, ser considerada a principal contribuição da Universidade `a sociedade brasileira, embora defendamos que o problema educacional deva ser atacado simultaneamente pelos dois extremos, i.e., Licenciatura e Pós–Graduação. Algumas questões referentes `a Pós–Graduação foram discutidas em [2,3]....


Recomendo a leitura desse artigo na íntegra. Acesse o link

sábado, 31 de março de 2018

O ensino médio que se almeja precisa da mobilização maciça da sociedade(Texto da integrante do IVEPESP Vanderlan Bolzani)

Um texto enviado pelo Professor Doutor Helio Dias do Instituto de Física de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

"A manifestação do Ministério da Educação colocando-se contrário à proposta de permitir que 40% da carga curricular do ensino médio seja feita na modalidade de Educação a Distância não poderia ser mais tranquilizadora (jornal O Globo/G1, 20/03/2018 “Medida em debate no CNE pode permitir que ensino médio tenha até 40% das aulas a distância”). Apesar disso, entretanto, a informação revela o momento de dificuldade vivido pela sociedade brasileira ao lidar com uma das questões mais importantes para qualquer país, o sistema educacional. E isso assusta! E por quê? Foram muitas as mudanças feitas no ensino médio nestes últimos tempos, sem que essas mudanças tenham tido um tempo de sedimentação e avaliação de resultados.

Dessa forma, apesar da negativa do ministro, o fato expõe a fragilidade do País frente à necessidade de assumir um programa educacional de excelência, não vinculado ao governo do momento, e sim como uma política de Estado. Notícias dessa natureza, mesmo desmentidas, soam o alarme, pois vale lembrar o ditado popular: onde há fumaça há fogo.

O alerta nos diz que o processo de desestruturação pelo qual passam hoje várias áreas – entre elas a de ciência e tecnologia – é marcado pela falta de compromisso com os interesses do País. Assim, decisões de vital importância, como a qualidade da formação no ensino médio, podem ser tomadas com base em iniciativas pontuais que levam em conta os interesses do “mercado”. Que “mercado”? Um mercado completamente desconectado das sociedades do conhecimento?

A reforma do ensino médio instituída pela Lei 13.415/17 vem sendo criticada por entidades do setor educacional exatamente pelo descompromisso com o ensino público de qualidade. Assim como tem sido criticada pelo propósito de tirar do Estado o papel essencial que lhe cabe no tocante à educação.

O que torna esse quadro mais preocupante é que hoje milhões de cidadãos, pais e estudantes, não sabem o que está acontecendo e o que poderá ocorrer como resultado de mudanças que pioram ainda mais um sistema educacional já claramente pauperizado, como mostram indicadores nacionais e internacionais. Se os resultados das avaliações de desempenho dos estudantes brasileiros já são constrangedores, o que dizer do futuro se uma parcela desses estudantes tivesse sua formação no ensino médio, “a distância”, regida pela lógica do custo e benefício que predomina em muitas escolas particulares? Algumas ainda muito distantes da excelência que preconizam ter.

A questão, e este ponto parece essencial, é que o debate sobre o ensino fundamental e médio, isto é, sobre educação, não pode prescindir dos especialistas da área, mas deve ser objeto de atenção de todos, incluindo professores universitários e pesquisadores. Porque suas implicações se desdobram em todas as direções da atividade social. Os alertas, aliás, têm vindo em grande quantidade, dos especialistas. Como mostra o documento assinado por 13 entidades ligadas à área de ensino, “O desmonte da escola pública e os efeitos da Reforma do Ensino Médio: exclusão, precarização, privatização, desresponsabilização do Estado” (no site da Anped – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação).


O argumento da comunidade científica, que preconiza investimentos em CT&I como caminho para o desenvolvimento do País, mantém uma ligação orgânica com o debate sobre ensino fundamental e médio. Mais do que nunca é necessário encontrar formas para amplificar esse debate, envolvendo os beneficiários em busca de um sistema educacional robusto para a tão almejada sociedade do conhecimento."